Agência altera perspectiva de nota de crédito para negativa

Segundo comunicado divulgado pela Moody's, a ação reflete o risco crescente do baixo crescimento da economia brasileira e a piora nos indicadores da dívida

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A agência de classificação de risco de crédito Moody's rebaixou para negativa a perspectiva dos títulos emitidos pelo governo brasileiro. Antes, o viés do rating era estável. A mudança não altera a nota Baa2 dos títulos do país, mas indica que um futuro rebaixamento nesta avaliação é possível.

Segundo comunicado divulgado pela Moody's, a ação reflete o risco crescente do baixo crescimento da economia brasileira e a piora nos indicadores da dívida. Para a agência, estes fatores sinalizam para uma redução na qualidade de crédito do Brasil.

A decisão vem na esteira da divulgação do resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre desse ano. Segundo informou o IBGE, a economia do país teve retração de 0,6% no período. Com a revisão do PIB do primeiro trimestre para baixa de 0,2%, ante alta de igual proporção, o país entrou em recessão técnica, segundo alguns economistas.

Para a Moody's, a redução no crescimento econômico do país é sustentada e "mostra pouco sinal de retorno ao potencial no curto prazo". A agência cita ainda que há uma deterioração acentuada entre os investidores, o que tem afetado negativamente os investimentos no país. A formação bruta de capital fixo, indicador destes investimentos, recuou 11,2% no segundo trimestre de 2014, ante igual período de 2013. Na comparação com os três primeiros meses do ano, a queda foi de 5,3%.

A Moody's ressalta ainda que o baixo crescimento impõe desafios fiscais ao governo, "impedindo a reversão da tendência de elevação nos indicadores da dívida". O rating Baa2 do país foi reafirmado pela agência nesta terça, destacando a resistência do Brasil a impactos financeiros externos, devido às reservas internacionais, e a mudança no apetite global por risco, que tem afetado emergentes. A nota de crédito também é sustentada pela "economia extensa e diversificada do Brasil".

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