PSDB se vê diante de dilema

Tucanos se dividem entre ainda lutar por vaga no segundo turno ou já se aproximar do PSB

iG Minas Gerais | Denise Motta |

Equívoco. Cientistas políticos avaliam que foi um erro Aécio Neves associar sua imagem à de FHC
Igo Estrela / PSDB - 7.7.2014
Equívoco. Cientistas políticos avaliam que foi um erro Aécio Neves associar sua imagem à de FHC

A pauta da mídia em torno do escândalo da Petrobras pode ser a última cartada para Aécio Neves (PSDB) conseguir se viabilizar como candidato competitivo para chegar ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Mas avaliações não são animadoras. “É muito complicado para o Aécio bater no Eduardo Campos, porque os dois eram amigos. Ele precisa esperar Dilma (Rousseff) bater na Marina (Silva)”, avalia o cientista político Pedro Costa Júnior, lembrando que o PSDB também tem telhado de vidro, como o mensalão mineiro.  

Para o cientista político Bruno Wanderley, o erro do PSDB é não possuir discurso que atinja as massas, que são grande parte do eleitorado. “Falta ao Aécio recado popular. Ele não tem mensagem para o eleitorado majoritário”, avalia.

O cientista político Guilherme Casarões acredita que já existe um acordo costurado entre o PSDB de São Paulo e Marina Silva, caso a ex-senadora seja eleita presidente. Ele aposta nos nomes de José Serra e de Aécio como ministros de eventual governo do PSB.

“O PSDB é um partido muito fragmentado. Eu, sendo de BH e morando em São Paulo, percebo bem que existem dois PSDBs: o paulista, superbairrista e cada vez menos envolvido na campanha de Aécio, e o PSDB mineiro, centrado na figura de Aécio”, analisa.

Na avaliação de Casarões, diante do quadro atual, é praticamente impossível Aécio se recuperar e chegar ao segundo turno, e o caminho tucano chega a uma bifurcação: ou Aécio se alia ao PSB de Marina, ou acaba menor do que quando entrou na disputa presidencial. Além disso, é preciso lembrar, destaca o especialista, que o PSDB paulista está com o PSB de Márcio França, vice de Geraldo Alckmin, o que revela “sutilezas”.

“Aécio tem que tomar cuidado para não fechar portas em eventual governo de Marina. Penso que ele já está de olho no apoio que vai dar para Marina no segundo turno. Só não pode admitir abertamente, porque seria reconhecer a derrota”, avalia, completando: “O grande erro dos tucanos foi não se firmar como oposição ferrenha no governo Dilma, em contraposição à dura oposição que foi o PT durante o governo de Fernando Henrique Cardoso”.

Velho. Colar a imagem de Aécio à de Fernando Henrique Cardoso também foi um erro, segundo Casarões, uma vez que o ex-presidente tucano tem baixa influência na decisão do eleitor.

“Aécio é um candidato que fala do novo olhando para o passado. O PSDB precisa se reformular. Se Marina ganhar, o PT será a segunda força da política no Brasil porque vai voltar para a oposição, e ele sabe fazer isso muito bem”, conclui Pedro Costa Júnior.

Influência

Voto. Pesquisa Datafolha de junho apontou que FHC tem 12% de influência positiva nos votos, atrás de Marina, com 18%, Joaquim Barbosa, com 26%, e Lula, que lidera o ranking com 36%.

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