Indústria responde só por 13% do PIB, menor fatia desde 1955

Alta nas importações, custo Brasil e PIB per capita baixo provocam o fenômeno

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Importados. O setor têxtil é um dos que mais sofrem com a importação crescente no país, principalmente de produtos da China
Eugene Hoshiko/associated press
Importados. O setor têxtil é um dos que mais sofrem com a importação crescente no país, principalmente de produtos da China

A indústria brasileira está perdendo força. O setor de transformação, nome dado ao conjunto de atividades que transforma a matéria-prima em novos produtos, respondeu, em 2012 por 13,1% do Produto Interno Bruto (PIB). É o menor patamar desde 1955, antes do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, que promoveu a industrialização do país.  

Os dados são do estudo “Brasil: Indústria de Alta Tecnologia?”, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O levantamento mostra ainda que o volume de empregos gerados no setor equivalia a 27,7% dos postos de trabalho do país em 1985 e, hoje, representa 17,17%. Um dos motivos dessa “desindustrialização é o aumento do consumo de importados. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 22,5% do que o brasileiro consome são produtos importados. “É muito preocupante. A indústria é o setor que gera divisas para o país, com exportações. Serviços, geralmente, não são exportados”, diz o economista chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Leão. Ele ressalta ainda que o desenvolvimento industrial puxa o desenvolvimento tecnológico, o que também não vem acontecendo no país. De acordo com o estudo da Fiesp, é um mito dizer que a importação de alta tecnologia é direcionada para a modernização da indústria e aumento da produtividade. “Continuamos exportando mais produtos de média e baixa tecnologia e importando cada vez mais produtos de alta tecnologia”, diz o diretor do Decomtec e um dos responsáveis pelo estudo, José Ricardo Roriz Coelho. Perspectiva. Se continuar no mesmo ritmo atual, a indústria de transformação será reduzida a 9,3% do PIB do Brasil em 2029, segundo a Fiesp. Para o ano que vem, por exemplo, a expectativa não é das mais otimistas. Analistas ouvidos pelo Banco Central reduziram a previsão de crescimento industrial em 2015 de 1,7% para 1,5%. O dado está no boletim Focus divulgado nesta segunda. Para este ano, a previsão de queda é de 1,98%. Para a Fiesp, é preciso um grande esforço para reindustrializar o Brasil e fazer a economia voltar a crescer. O estudo sugere a adoção de um “projeto nacional de desenvolvimento”, com metas como elevar o PIB per capita para US$ 20 mil em 30 anos. Atualmente, a renda per capita brasileira é de US$ 10,3 mil. Para isso, a renda por habitante tem que crescer 3,52% ao ano. Para isso, seria necessário que o PIB crescesse 4,01% ao ano, já considerando a projeção de aumento da população. Esse desempenho é considerado possível, considerando a alta média de 3,6% do PIB na última década. 

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