Petrobras desaba quase 5% e guia Bolsa ao pior pregão em sete meses

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,83% sobre o real, para R$ 2,260 na venda

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Após ter atravessado um pregão instável, o principal índice da Bolsa brasileira fechou esta segunda-feira (8) em queda pelo quarto dia seguido e registrou seu pior desempenho diário em sete meses.

O Ibovespa perdeu 2,45%, para 59.192 pontos. É a maior queda diária desde 3 de fevereiro deste ano, quando registrou desvalorização de 3,13%. O volume financeiro movimentado no dia foi de R$ 9,630 bilhões.

As ações preferenciais da Petrobras (sem direito a voto) guiaram as perdas do índice. Os papéis, que chegaram a subir mais de 3% após a abertura dos negócios nesta segunda, na esteira da pesquisa Sensus, terminaram em baixa de 4,91%, para R$ 21,70 cada um.

De acordo com analistas ouvidos pela reportagem, a polêmica envolvendo a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afetou as cotações dos papéis nesta segunda (8), mas foi usada como pretexto para os investidores venderem ações e embolsar lucros acumulados nas últimas semanas.

"Se a gente parar para pensar, é um assunto que está muito massacrado. O mercado já estava esperando. Mais para o final da tarde [desta segunda (8)], ao ver o volume movimentado pelas ações da estatal, cheguei à percepção que o mercado está arrumando um motivo para realizar lucros", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Mesmo assim, o analista acredita que "o assunto é sério e prejudica a empresa. Para a imagem da companhia é ruim, especialmente para os estrangeiros, que olham mais um caso de corrupção em uma grande empresa no Brasil."

Tendência

A percepção de Figueredo é que, mesmo com a queda de hoje, a tendência continua de alta para o mercado de ações brasileiro. "A especulação eleitoral vai continuar guiando o mercado. Essa semana tem Datafolha e Ibope. Ambas as pesquisas vão incorporar as denúncias da delação do ex-diretor da Petrobras que foram publicadas pela "Veja". Isso é bem importante", diz.

Para Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer, a correção do Ibovespa deve continuar até o meio da semana.

"É claro que o investidor menos experiente se assusta com as denúncias em relação à Petrobras e as declarações de seu ex-diretor, mas o grande investidor já tem isso mais ou menos entendido e precificado. O tempo médio de correção (da Bolsa) tem sido seis dias. Ou seja, até quinta ou sexta-feira é possível que a Bolsa caia", afirma.

Papéis

As ações preferenciais da Vale fecharam em queda de 0,80%, a R$ 24,80. Além da baixa generalizada do mercado, também pesou sobre a cotação do papel a notícia de que as importações da China, principal destino das exportações da mineradora, caíram inesperadamente pelo segundo mês seguido em agosto.

Já o setor de telecomunicações foi destaque positivo no Ibovespa, com TIM Participações subindo 5,36%, a R$ 13,18. A Telefônica Brasil teve ganho de 1,35%, a R$ 50,12.

Matéria publicada no site do jornal "O Estado de S.Paulo" no fim da sexta-feira (5) afirma que as operadoras Oi, Vivo e Claro querem apresentar à Telecom Italia, dona da TIM, uma proposta conjunta de compra da TIM antes do leilão da faixa de 700 MHz de 4G, marcado para 30 de setembro. Das 69 ações que compõem o Ibovespa, apenas quatro subiram. Além de TIM e Telefônica, também fecharam no azul Cielo (+1,17%) e Embraer (+0,32%).

Câmbio

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,83% sobre o real, para R$ 2,260 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 1,11%, a R$ 2,265.

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 swaps cambiais (operação que equivale a uma venda futura de dólares), sendo 2.000 com vencimento em 1º de junho de 2015 e 2.000 com vencimento em 1º de setembro de 2015, pelo total de US$ 197,6 milhões.

A autoridade também promoveu um novo leilão para a rolagem de 6.000 swaps que venceriam em 1º de outubro, por US$ 296,5 milhões. Se mantiver este ritmo, o BC rolará cerca de 76% do lote total com prazo para o primeiro dia do mês que vem, menos do que os 88% rolados em agosto.

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