Com 16 anos, jovem mineira desfila medalha olímpica por Betim

Ana Patrícia conquistou ouro nos Jogos Olímpicos de Juventude, mas só chegou lá após muita determinação em um ano de treinamentos

iG Minas Gerais | DÉBORA FERREIRA |

Ana Patrícia foi descoberta aos 15 anos no handebol, migrou para o vôlei e foi morar longe dos pais pela primeira vez
Ricardo Mallaco/O Tempo
Ana Patrícia foi descoberta aos 15 anos no handebol, migrou para o vôlei e foi morar longe dos pais pela primeira vez

Determinação é uma atitude mais que necessária para atletas, especialmente no começo de suas carreiras. E quem tem de sobra pode chegar muito longe, como mostrou a mineira Ana Patrícia Ramos, de Espinosa, medalhista de ouro no vôlei de praia nos Jogos Olímpicos da Juventude. Aos 16 anos e apenas um treinando especificamente na modalidade, a jogadora faz planos altos para a vida.

Foi nos Jogos Escolares e Minas Gerais (JEMG) de 2013 que Patrícia chamou a atenção. No handebol, ela já exibia um porte físico favorecido - tem 1,93 m de altura -, e acabou indicada para jogar voleibol sob as orientações de Giuliano Sucupira, em Betim. E aí veio o primeiro desafio: convencer os pais a deixar a pequena cidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, no norte de Minas.

“Quando ela começou, ela insistia para fazer os testes, mas isso lá é fora da realidade. Não tem time, ela treinava com os colegas. Foi uma questão de muita sorte, e principalmente determinação. A primeira coisa que ela teve que fazer foi convencer a gente que ela tinha que vir para cá, que era o sonho dela, e ela lutou para isso”, contou a mãe da jovem, Eugênia Dolores da Silva Ramos.

Os resultados apareceram numa velocidade surpreendente. A adolescente foi campeã mineira sub-21 e do adulto de vôlei de praia e ficou em terceiro no Brasileiro sub-23, ano passado. Depois de seis meses com patrocínio da Prefeitura de Betim, foi chamada para treinar no centro da modalidade em Saquarema, e este ano chegou à prata no Brasileiro sub-23, além de um nono lugar no Mundial sub-19.

Para os Jogos da Juventude, na China, foi colocada ao lado da sergipana Duda, bicampeã mundial sub-19 e com experiência em muitos campeonatos. Juntas, as duas mostraram força de vontade para sair atrás na grande final, diante das gêmeas canadenses Megan e Nicole McNamara, e conquistarem a medalha inédita para o país.

“Por ser um dos meus primeiros campeonatos internacionais, minha primeira final mundial, fiquei bastante nervosa. O primeiro set a gente perdeu, eu senti um pouco o nervosismo. O segundo a gente ganhou e o terceiro a gente começou perdendo, mas ali subiu uma chama em mim que eu não ia perder de jeito nenhum e a Duda também acreditava”, revelou Ana Patrícia.

Meta de Patrícia é participar dos Jogos do Rio 2016

Muitos dos atletas que estiveram nos Jogos Olímpicos da Juventude só pensam em entrar no ciclo olímpico em 2020, mas Patrícia mais uma vez é exceção. Inspirada em Talita, brasileira campeã mundial ao lado de Larissa,  ela tem uma  vontade diferenciada que  já a coloca pensando no Rio 2016.

“Ela não desiste. É uma menina que corre atrás, é determinada, sabe o que quer, e isso faz diferença. Enquanto a maioria se programa para 2020, a Patrícia é sonhadora e já vai lutar para esse ciclo também”, comentou seu técnico Giuliano Sucupira.

Além da festa em Espinosa, onde virou a sensação da cidade, a jovem desfilou nesta segunda-feira em carro aberto pelo centro de Betim e foi recebida pelo prefeito Carlaile, que elogiou seu trabalho e entregou um kit simbólico à jogadora