Dilma afirma que nunca desconfiou de irregularidades na Petrobras

Preso desde março, Costa começou a contar tudo o que sabe sobre um esquema que teria desviado R$ 10 bilhões em um acordo de delação premiada

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ação contra Dilma foi proposta pela coligação Muda Brasil, do candidato Aécio Neves (PSDB), que pediu aplicação de multa entre R$ 5 mil e R$ 100 mil
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Ação contra Dilma foi proposta pela coligação Muda Brasil, do candidato Aécio Neves (PSDB), que pediu aplicação de multa entre R$ 5 mil e R$ 100 mil

 A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (8) que jamais imaginou haver "malfeitos" em negócios envolvendo a Petrobras tanto no período em que esteve à frente do Conselho de Administração da estatal quanto nos três anos e meio de seu governo. Dilma participa de uma sabatina feita pelo jornal "O Estado de S. Paulo", no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Para a presidente, o envolvimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da empresa, "é estarrecedor". "Em nenhum momento houve [desconfiança]. É interessante que lembremos que ele [Paulo Roberto Costa] é um quadro da Petrobras. O que é mais estarrecedor. Ele vinha fazendo carreira. É de fato surpreendente que ele tenha feito isso. Isso não faz parte da Petrobras", afirmou.

Preso desde março, Costa começou a contar tudo o que sabe sobre um esquema que teria desviado R$ 10 bilhões em um acordo de delação premiada. De acordo com reportagem da revista "Veja", Costa cita como beneficiários de propina em esquema na Petrobras o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN), respectivamente. Estariam envolvidos também políticos do PT e do PP.

Dilma afirmou que já pediu oficialmente o compartilhamento das informações à Policia Federal e ao Ministério Público para avaliar o envolvimento de pessoas ligadas ao governo. A presidente afirmou que, enquanto isso não acontecer, não tomará nenhuma medida baseada apenas em reportagens.

"Sou presidenta da República, tenho que acatar as informações da Polícia Federal, do Ministério público. [...] Eu não quero dentro do meu governo qualquer pessoa que esteja comprometida com mal feito. A imprensa não tem um foro inequívoco para dizer quem eu posso ter ou não. Eu quero a informação a mais profunda possível", disse.

Durante a entrevista, Dilma defendeu ainda a presidente da Petrobras, Graça Foster, e afirmou que a empresa melhorou sua gestão neste período além de ter ampliado os canais de transparência. "Eu acho que ela aumentou a qualidade da gestão e quem vier depois tem que melhorar também. É obrigação de uma gestão", disse.

Para Dilma, os esquemas de corrupção revelados ao longo dos doze anos de governo do PT se deram porque a Polícia Federal e o Ministério Público ganharam autonomia para investigar. "Quem não investiga não descobre. Fica claro que esse governo investigou e descobriu. Desmontamos muitos esquemas de corrupção. O que me estranha é que outros esquemas não tenham tido o mesmo tratamento que é o caso do mensalão do DEM, ou o esquema original, do PSDB", alfinetou.

A presidente citou como exemplo o afundamento de uma plataforma de petróleo que aconteceu durante o governo FHC. "Você acha que uma plataforma que custa $ 1,5 bilhão afundar e ninguém investigar? Ela custa duas vezes mais que a refinaria de Pasadena. Ela afundou na gestão FHC e ninguém investigou", disse.

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