Problemas nos canais do Jaíba ameaçam produção agrícola

Série de entraves estruturais como assoreamento, vazamentos e infiltrações dificulta irrigação

iG Minas Gerais | RODRIGO FREITAS |

Assoreado. Sedimentos do fundo do canal dificultam a passagem da água
Divulgação
Assoreado. Sedimentos do fundo do canal dificultam a passagem da água

Produtores do Projeto Jaíba, perímetro de irrigação no Norte de Minas, estão preocupados com problemas estruturais nos canais que levam a água às propriedades. Estudos aos quais a reportagem de O TEMPO teve acesso mostram que há problemas de assoreamento, vazamentos e infiltrações. Os prejuízos ainda não foram sentidos diretamente pelos agricultores e industriais, mas a safra do ano que vem deverá ser menor, uma vez que a área plantada neste ano foi reduzida em função dos problemas.

As dificuldades começam no canal de chamada, responsável por levar a água do rio São Francisco até a estação elevatória que a bombeia para o canal principal. A seca prolongada e a pouca vazão do Velho Chico fizeram com que os sedimentos do fundo do canal dificultassem a passagem da água.

Uma construtora de Belo Horizonte fez um projeto para o desassoreamento ao custo de R$ 3,31 milhões, mas, até agora, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) só liberou R$ 1,8 milhão para o trabalho.

Já no canal principal, o problema são os vazamentos e infiltrações. Um estudo realizado por uma consultoria catarinense mostra que há pelo menos 39 pontos em que a água vaza pelas laterais do aterro feito para o canal. Há ainda diversos pontos de infiltrações, que podem causar um mal maior, segundo a consultoria. “(As infiltrações) podem evoluir para erosões na direção do canal ocasionando desmoronamentos e possíveis vazamentos”, afirma o relatório.

Mais do que o desperdício de água e a provável redução na safra, os produtores do Jaíba temem que as infiltrações e vazamentos ocasionem no rompimento do canal, o que foi apontado pelo estudo catarinense. “A estrutura de alvenaria do canal nos preocupa muito. A Codevasf já contratou um estudo que mostrou que há problemas, mas até agora nada foi feito. Falta atitude à Codevasf e à Fundação Rural Mineira (Ruralminas)”, reclama Jefrson Bertoli, vice-presidente do Distrito de Irrigação da Etapa 2 do Jaíba.

O trabalho completo nos canais sairia pelo valor de R$ 11,90 milhões. A Codevasf alega desconhecer tal orçamento.

Resposta

Responsabilidade. Procurada, a Fundação Rural Mineira (Ruralminas) afirmou que não tem responsabilidade sobre os canais do Projeto Jaíba. A Codevasf é que responde por eles.

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