Marineiros são jovens urbanos

Eleitorado de Marina neste ano é semelhante ao de 2010, quando a ex-ministra teve 19 milhões de votos

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Titular. Até 13 de agosto, Eduardo Campos era o candidato do PSB à Presidência e não conseguia capitalizar os votos de Marina, sua vice
TIAGO QUEIROZ
Titular. Até 13 de agosto, Eduardo Campos era o candidato do PSB à Presidência e não conseguia capitalizar os votos de Marina, sua vice

Jovens, de classe média, com ensino superior, evangélicos, moradores de médias ou de grandes cidades, principalmente da região Sudeste. Quem tentar definir o “eleitorado médio” da candidata à Presidência Marina Silva (PSB) certamente precisa elencar essas características.

O perfil consta dos dados da pesquisa Datafolha divulgada no dia 3 de setembro e aponta que o eleitor que votou em Marina há quatro anos não se esqueceu da candidata. Em 2010, então no PV, Marina contabilizou 19,6 milhões de votos (19,3% do total). O resultado surpreendeu até seus próprios eleitores e acabou por forçar o segundo turno do pleito entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Nas eleições deste ano, conforme a pesquisa do Datafolha, 34% dos eleitores pretendem votar na candidata do PSB.

Uma das características comuns aos que apoiam Marina é viver nos grandes centros. De acordo com o levantamento, a candidata do PSB bate Dilma em cidades com mais de 500 mil habitantes (38% a 29%). Em 2010, a ex-senadora venceu em capitais como Belo Horizonte, onde teve 560 mil votos, e Brasília, com 611 mil votos. No Rio de Janeiro, ficou em segundo e levou mais de 1 milhão de votos.

Outro tipo de eleitor cativado por Marina é o jovem. Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 39% têm intenção de votar nela, dez pontos percentuais a mais que Dilma. Os que têm maior escolaridade também são mais atraídos pela ex-senadora. Dentre os que concluíram o ensino superior, 42% dizem optar por ela. Seus dois principais adversários abocanham metade desse eleitorado.

O voto religioso é outro identificado fortemente com Marina Silva, que é evangélica. De acordo com o Datafolha, 45% dos evangélicos não pentecostais manifestam interesse de voto na ex-senadora. O percentual é maior que a soma de Dilma e Aécio nesse segmento (23% para a petista e 15% para o tucano). Entre os pentecostais, Marina arrebanha 39%, contra 31% da petista e 10% do tucano.

Por fim, uma parcela da classe média tem preferido Marina aos outros candidatos: 42% das famílias com renda mensal entre cinco e dez salários mínimos votam em Marina, contra 25% de Dilma e 21% de Aécio.

Análise. A cientista política Maria do Socorro Souza Braga afirma que os jovens que votaram em Marina em 2010 eram mais identificados com suas propostas “progressistas”, como a da sustentabilidade e as pautas ambientais. Para a professora, as pautas de Marina estão mais conservadoras, o que pode afastar justamente esse eleitorado que se identificou com a candidata.

“Não acho que os jovens hoje são muito tradicionais, sobretudo os que vivem nas grandes cidades. Mas pode ser que esse eleitorado pode cair um pouco com essas sucessivas modificações no plano de governo dela. Primeiro com a questão LGBT, agora, com a da Lei da Anistia”, analisa Maria do Socorro.

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