Delação monopoliza discussões na campanha

Aécio Neves pressiona petistas, Dilma minimiza envolvimento do governo e Marina diz que vai reagir conversando

iG Minas Gerais | Da Redação |

O vazamento de informações da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dominou a discussão nos eventos de campanha dos três principais candidatos à Presidência da República. Enquanto Aécio Neves (PSDB) cobrou posicionamentos da presidente Dilma Rousseff (PT), a petista afirmou que o caso "não lança nenhuma suspeita sobre o governo". A candidata do PSB, Marina Silva disse que vai reagir às denúncias, que envolvem o antigo titular da chapa, Eduardo Campos (PSB), conversando com as pessoas. "Vamos reagir conversando com as pessoas e fazendo tudo até com muita tranquilidade, porque nós somos democratas e acreditamos na democracia", disse ela, ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, após caminhada no Parque da Independência, em São Paulo. A candidata do PSB afirmou ainda, em resposta a uma eleitora e militante de outro partido, que está sendo muito agredida pela candidata do PT, Dilma Rousseff, e pelo PSDB, ao ser questionada sobre a citação do nome de Eduardo Campos, ex-cabeça de chapa do PSB, nos desvios de recursos da Petrobras. Beto Albuquerque, vice de Marina, acrescentou que durante o evento de hoje ficou claro que a população não está "nem um pouco feliz com os ataques da Dilma, ao contrário". "Em honra ao nome de Eduardo Campos vamos aguardar investigações", reforçou Albuquerque, em resposta à eleitora. Marina disse ainda que não é cria de Lula, pois estudou e trabalhou. "Cada pessoa tem sua biografia. Não foi Lula quem me fez. Eu quem me fiz. Lula se fez por ele mesmo, assim como Aécio", acrescentou ela. Questionada pela eleitora sobre como ia governar, caso eleita, sem ajuda de corruptos, Marina disse que quer governar com a ajuda dos honestos e que "o PT e o PSDB que se conformaram". Durante caminhada, ela prometeu manter os programas sociais em curso, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, caso seja eleita.  Durante caminhada no Parque da Independência, Marina ouviu eleitores, posou para fotos e repetiu inúmeras vezes a frase "ajude a gente". Ela prometeu ainda fazer melhorias na educação e saúde. "Tudo que for bom será mantido", disse a candidata do PSB. Além do candidato a vice-presidente, Beto Albuquerque, ela estava acompanhada pelo deputado Walter Feldman, e agentes da Polícia Federal, segundo apurou o Broadcast Político. O acompanhamento foi reforçado recentemente e está sendo feito em toda aparição da candidata. Campos havia recusado a ajuda, mas Marina e Albuquerque pediram esse tipo de proteção.   Tucano pressiona Enquanto isso, Aécio Neves, defendeu que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa volte a depor na CPI que investiga irregularidades na estatal e cobrou manifestação mais contundente da presidente Dilma Rousseff. "Não dá para dizer que não sabia", afirmou o tucano, referindo-se a denúncias feitas por Costa da existência de um esquema de corrupção na Petrobras que envolvia governadores e parlamentares de partidos da base governista. "A marca mais perversa do governo do PT é o aparelhamento do Estado. Eles querem se perpetuar no poder", disse Aécio, que voltou a chamar o episódio de "mensalão 2". O candidato visitou uma igreja evangélica, Ministério Flor de Lis, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, e se comprometeu com os fiéis a manter as posições contrárias à legalização do aborto e a descriminalização das drogas. Prejudicado pela subida da candidata Marina Silva, do PSB, nas pesquisas, Aécio brincou: "Ainda bem que faltam quatro semanas para a eleição". O tucano se disse confiante de chegar ao segundo turno e vencer a disputa presidencial e lembrou o passado de Marina como militante do PT. O candidato criticou ainda o "silêncio" de Dilma e Marina, ministras do governo Lula, diante do escândalo do mensalão, que veio a público em 2005.   Dilma releva Em meio à repercussão das revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a presidente Dilma Rousseff disse neste domingo, 7, que a lista de nomes apresentada por Costa "não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado". Dilma indicou, porém, que poderá tomar medidas "mais fortes" imediatamente, caso as denúncias sejam comprovadas. No depoimento de delação premiada, Paulo Roberto Costa citou o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão; os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros -- todos do PMDB --, além do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13. "Meu querido, eu acho que (o nome de Lobão aparecer no depoimento de Paulo Roberto Costa) não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado", comentou Dilma ao ser questionada pelo Broadcast Político, serviço de notÍcias em tempo real da Agência Estado, em coletiva de imprensa concedida no Palácio da Alvorada neste domingo.  Questionada sobre a permanência de Lobão no governo, após a revelação da revista Veja, Dilma disse que não pode tomar "nenhuma providência" enquanto não tiver "todos os dados oficialmente entregues". "Não acredito que os dados que a imprensa tem fornecido são oficiais. Ao ter os dados, tomarei todas as providências cabíveis, todas as medidas inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes", ressaltou.   Acusação Dilma disse a jornalistas que não conversou com o ministro Lobão nos últimos dias. "Nem ele sabe do que é acusado, porque não está na matéria (da revista Veja). Ninguém sabe. Não pode ser assim o Brasil", observou. "E quero dizer mais: o governo tem tido em relação a essa questão (investigação da Petrobras) uma posição extremamente clara. Aliás, foram órgãos do governo que levaram a essa investigação. Foi a Polícia Federal, não caiu do céu. O governo está investigando essa questão." Para fragilizar Dilma, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, chamou as denúncias do ex-diretor da Petrobras de "mensalão 2", numa referência ao escândalo de corrupção que marcou o governo Lula, em 2005.  Ex-ministra da Casa Civil e também de Minas e Energia, Dilma presidiu o Conselho de Administração da Petrobras na época da compra da refinaria de Pasadena (EUA). À PF, Costa disse que houve pagamento de propina nesse negócio, que causou prejuízo de US$ 792 milhões à empresa, de acordo com o Tribunal de Contas da União.  Em março, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que Dilma votou a favor da compra da refinaria, quando comandava o conselho da estatal. Questionada, ela disse que só aprovou a transação porque recebeu relatório "falho" sobre o assunto. Depois de vir à tona, o negócio passou a ser investigado por duas CPIs no Congresso.

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