Desfile do 7 de setembro atrai 5 mil pessoas para o centro de BH

As festa cívica aconteceu na avenida Afonso Pena, para onde onde foram atraídos também cerca de 200 manifestantes do movimento Grito dos Excluídos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

O Desfile Oficial da Independência foi acompanhado neste domingo (7) por cerca de 5.000 pessoas em Belo Horizonte. Ao longo da avenida Afonso Pena, no centro da capital, centenas de oficiais e membros do Exército, das polícias militar e civil chamavam a atenção por seus uniformes impecáveis, e as passadas firmes e sincronizadas. As crianças foram quem mais se encantaram com a exibição, que também contou com participação das bandas das corporações, de reservistas e da fanfarra do Colégio Tiradentes.

O desfile dos carros oficiais e de um tanque do Exército foi o momento favorito do pequeno Vítor Gabriel. “Achei muito bonito. Um dia sonho ser policial e desfilar também”, contou hipnotizado. O pai, o mecânico Marcelo Maques, 34, diz que fez questão do levar o filho para prestigiar a data. “Ele queria ver os carros, principalmente. Acho importante resgatar esses valores e a cidadania”, disse Marques.

O prefeito da capital, Marcio Lacerda, acompanhou a cerimônia e comentou a importância de lembrar a data e prestigiar as forças militares.  “As crianças gostam muito de ver as formações militares garbosas, funcionando como um relógio, e de ver os equipamentos. É muito importante que a gente tenha as forças militares, policiais e a Guarda Municipal bem organizadas e equipadas, trabalhando dentro da visão de cidadania e de direitos humanos. O símbolos da pátria e os símbolos militares ficaram com uma visão um pouco negativa devido a longa duração do regime militar, que felizmente terminou há 30”, afirmou Lacerda.

O general Mário Júlio Alves de Araújo, da 4ª Região Militar, comentou sobre a importância da sociedade participar da comemoração. “O espírito de amor a pátria permanece. Estamos hoje (ontem) muito felizes. É uma data cívica militar muito importante. Civismo quer dizer cidadania. Nossa pátria precisa ser cultuada”, afirmou. Segundo Araújo, o Exército hoje está próximo da população. “O Exército é o povo brasileiro fardado  e isso nos dá muito orgulho”, disse o general.

Excluídos 

A poucos metros do desfile, na praça da rodoviária, cerca de 200 pessoas se reuniram para o 20º Grito dos Excluídos. Pessoas ligadas a diferentes grupos sociais e sindicatos manifestaram em defesa dos moradores de rua, negros, mulheres marginalizadas e pelo acesso a moradia.

Neste ano, o lema foi “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”. “Queremos reforçar esse movimento de ocupar praças e ruas, discutir a questão da moradia, do trabalho escravo, do tráfico humano, das mulheres e dos jovens negros”, afirmou o eletricitário Jair Gomes Pereira Filho. Para ele, as manifestações de junho de 2013 tiveram pouco impacto na política brasileira.

“A população está mais crítica ao sistema político. O movimento de junho, apesar de não ter tido nenhuma concretude nas suas bandeiras, despertou nas pessoas o censo crítico em relação a esta política que não agrada as pessoas”, afirmou o eletricitário.

Frei Edmar Moreira também acompanhou a caminhada pelo centro da cidade. Para ele, o grupo mais excluído na capital é o de moradores de rua. “O Grito dos Excluídos é um movimento que busca os menos favorecidos. Em Belo Horizonte, os moradores de rua e as mulheres marginalizadas precisam de atenção especial. Houve uma limpeza nas ruas da cidade em função da Copa do Mundo. Acredito que as manifestações do ano passado alertaram o povo, mas ainda não deram o empurrão necessário para mudanças reais”, criticou Moreira. 

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