Caixa baixo, preocupação alta

Enquanto Fernando Pimentel já gastou mais que arrecadou, doações para Pimenta da Veiga caíram

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Pimenta da Veiga visitou a Olimpíada do Conhecimento ontem
DENILTON DIAS / O TEMPO
Pimenta da Veiga visitou a Olimpíada do Conhecimento ontem

Faltam menos de 30 dias para o fim da eleição e os candidatos em Minas ainda devem enfrentar grandes dificuldades no que diz respeito à arrecadação de verba para a campanha. De acordo com a segunda prestação de contas divulgada neste sábado pelo Tribunal Superior Eleitoral, os dois principais postulantes ao Palácio Tiradentes, Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB), estão muito longe de atingir a expectativa inicial de recursos para a disputa, o que liga novamente o sinal de alerta para novos cortes internos nas equipes.

Nos dois primeiros meses de campanha, Pimentel só recebeu 12% do total esperado para toda a campanha. Se no primeiro dia de disputa ele declarou um teto de R$ 42 milhões para arcar com as despesas, até o momento ele só obteve R$ 5,3 milhões. A situação é tão preocupante que no balanço das contas ele está no vermelho, já que gastou R$ 6,1 milhões – mais do que tinha à disposição. Comparado com a primeira declaração entregue pelo petista à Justiça Eleitoral, os números podem até ser considerados favoráveis, já que houve um crescimento considerável no total de recursos recebidos. Após o fim de julho, o ex-ministro declarou como receita R$ 1,1 milhão, ou seja, de um mês para o outro ele conseguiu R$ 4,2 milhões. O valor total, no entanto, ainda é bastante inferior ao obtido pelo seu principal adversário, Pimenta da Veiga. Ele conseguiu mais que o dobro de verbas do que o petista. Na primeira prestação de contas, o candidato do PSDB tinha uma vantagem ainda maior no que diz respeito à verba. O documento entregue na semana passada por Pimenta da Veiga ao TSE diz que os tucanos conseguiram R$ 12,3 milhões, valor também abaixo do esperado. Inicialmente, o PSDB calculava ter R$ 60 milhões à disposição para a eleição, mas, por enquanto, só foi possível conseguir 20% disso. A maior dificuldade do candidato tucano ocorreu no último mês. No fim de julho, quando a disputa completou um mês, ele informou ter recebido R$ 11 milhões. De lá para cá, porém, o total de recursos obtidos aumentou apenas R$ 1,3 milhão. As despesas, por sua vez, estão dentro da capacidade, já que os gastos com propaganda, fornecedores e viagens somam R$ 11,9 milhões. Crise. Como mostrou reportagem de O TEMPO na semana passada, PT e PSDB já ligaram o sinal de alerta no Estado. Os tucanos chegaram a demitir militantes contratados para distribuir panfletos e até assessores e fotógrafos da campanha. Ao ser questionado se o problema era a baixa arrecadação, Pimenta disse que estava “normal”. “Não há o que comemorar nem o que lamentar”, disse. Pimentel não chegou a reclamar da falta de verba, mas interlocutores se mostram preocupados. “Formamos uma equipe enxuta. Se a arrecadação aumentasse, contrataríamos mais gente, mas isso não aconteceu”, revelou um nome da equipe. 

Saldo Senado. Josué Gomes (PMDB) está no vermelho. Ele arrecadou R$ 2,1 milhões e gastou R$ 5,3 milhões. O seu principal rival, Antonio Anastasia (PSDB), arrecadou R$ 5,3 milhões e gastou R$ 5 milhões.

Um tem mais apoio do partido, outro de empresas Quase todas as doações de recursos obtidas pelo candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, vieram das direções nacionais e estaduais do seu partido. Dos R$ 12,3 milhões obtidos pelo tucano, R$ 10,5 milhões – o equivalente a 85% – partiram de dentro da própria legenda. O restante foi repassado por empresas e pessoas físicas, mas, nesses casos, os repasses não são altos. Já o candidato do PT ao Palácio Tiradentes, Fernando Pimentel, foi mais beneficiado por empresas. No total, ele conseguiu R$ 3,1 milhões do empresariado de diversos segmentos, representando 58% do montante. Entre as que mais investiram no candidato estão a Esdeva Indústria Gráfica Ltda, com dois repasses de R$ 500 mil cada. O mesmo valor foi disponibilizada pela Rima Industrial S/A à campanha do petista. As direções nacional e estadual do PT também foram generosas e fizeram altos repasses ao ex-ministro. No total, foram R$ 2,2 milhões – o mesmo que 41,5% do total de recursos recebidos – da legenda, que tem apostado na disputa em Minas como ponto fundamental para a campanha.

Presidencial Líder. A candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, foi a que mais captou recursos nos dois primeiros meses de campanha: um total de R$ 123,3 milhões. Concorrentes. O valor é quase o dobro que a soma de seus dois principais adversários: Aécio Neves, do PSDB, que recebeu R$ 42,3 milhões; e Marina Silva, do PSB, com R$ 19,5 milhões.

Nos Estados Rio de Janeiro. O candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB) lidera a arrecadação com R$ 13 milhões. Lindbergh Farias (PT) está em segundo, com R$ 3,7 milhões.  Pernambuco. Paulo Câmara (PSB) é o que mais arrecadou recursos, numa diferença de mais de R$ 3 milhões para o segundo colocado, Armando Monteiro (PTB). São Paulo. Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu R$ 14 milhões, enquanto Paulo Skaf (PMDB) arrecadou R$ 10,3 milhões. O petista Alexandre Padilha tem R$ 4,1 milhões à disposição.  Rio Grande do Sul. Os oito candidatos ao governo já arrecadaram R$ 6,5 milhões para a campanha eleitoral, sendo que 83% foi para a campanha de Tarso Genro (PT) e Ana Amélia Lemos (PP).

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