Pepsi quer fazer do caju a próxima água de coco do mundo

Ideia é explorar em maior escala ingredientes de apelo local

iG Minas Gerais | Stephanie Strom |

Renovação. Manoj Solanke caminha entre cajueiros
Prashanth Vishwanathan/The New York Times
Renovação. Manoj Solanke caminha entre cajueiros

Distrito de Ratnagiri, Índia. Quando começa a colheita de caju, os pomares nestas exuberantes colinas ficam cobertos por um brilhante tapete amarelo, laranja e vermelho que surge depois que os agricultores retiram a castanha e jogam o restante no chão. Ali, os cajus rapidamente apodrecem – exceto por alguns usados na preparação de uma aguardente local, chamada feni. Nesta estação, porém, o tapete será mais fino – pois a Pepsi está apostando que o doce suco dos cajus pode ser a próxima água de coco ou suco de açaí. “Os sucos de coco, romã e limão são populares, mas a acessibilidade está se tornando um grande problema”, declarou V.D. Sarma, vice-presidente de contratos globais da PepsiCo India. “Assim, estamos buscando novas fontes de sucos locais para ajudar a reduzir os preços para nós e para os consumidores”. O exigente grupo demográfico conhecido como a geração do milênio, além de novos consumidores entre a classe média emergente do mundo todo, possuem um apetite insaciável que vem levando empresas alimentícias a experimentar em grande escala sabores e ingredientes cujo apelo, até recentemente, era principalmente local. A quinoa, um grão rico em proteína que era a base da dieta pré-colombiana nos Andes, está atualmente em falta, graças à demanda global. A chia, semente rica em ácidos ômega-3, pode ser encontrada em tudo – de vitaminas a bolinhos. A partir do próximo ano, o suco de caju entrará numa bebida mista de frutas vendida na Índia sob a marca Tropicana, substituindo sucos mais caros como maçã, abacaxi e banana. Eventualmente, a empresa espera acrescentar o caju em bebidas no mundo todo. “Há muito a ser dito sobre o caju”, argumentou Anshul Khanna, gerente sênior de sucos da PepsiCo India. “Ele é exótico e atraente, e o vemos como um produto diferenciado”. Os agricultores estão um pouco perplexos com o interesse da Pepsi por seus cajus. Embora a castanha de caju seja adorada mundialmente, o pseudofruto onde ela cresce é quase sempre deixado no chão ou jogado fora, onde começa a fermentar 24 horas após a colheita. “Achei um pouco estranho eles quererem comprar os cajus, mas não quis questionar uma nova fonte de dinheiro”, disse Sanjay Pandit, que cultiva cerca de 300 cajueiros.

Daqui para lá Acaso. No século XVI, os portugueses introduziram cajueiros na região de Goa esperando conter a erosão do solo, arrastado por chuvas. Hoje a Índia é um dos maiores produtores mundiais.

Colheita é desperdiçada no Brasil Ratnagiri.Os brasileiros são os maiores consumidores do caju, que foi retratado nas propagandas da Fifa para a Copa do Mundo. Mas o Brasil, uma enorme fonte global de castanhas de caju, processa apenas 12% de sua colheita anualmente – devido aos desafios impostos por sua curta vida na prateleira, segundo uma pesquisa da African Cashew Alliance. A Pepsi descobriu a fruta no Brasil há alguns anos, quando Mehmood Khan, seu chefe global de pesquisa e desenvolvimento, trabalhava para promover a divisão de água de coco da empresa.

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