Tem de tudo, inclusive simpatia

Armazém do Zé Totó, no bairro Aparecida, em BH, vende de penico e meia-calça a antena parabólica

iG Minas Gerais | Natália Oliveira |

Patrimônio. Desde 1943, as portas do armazém do Zé Totó, 84, se abrem às 8h todos os dias da semana
JAQUES DIOGO / O TEMPO 22.08.201
Patrimônio. Desde 1943, as portas do armazém do Zé Totó, 84, se abrem às 8h todos os dias da semana

Um dos comércios mais antigos de Belo Horizonte funciona há 71 anos na mesma esquina, na rua Aporé, no bairro Aparecida. O pequeno armazém de José Alves dos Santos, 84, o Zé Totó, como é conhecido, vende quase tudo. A simpatia é de graça.  

Mesmo com os grandes supermercados, o ponto sobrevive e mantém as características das antigas vendas. As mercadorias são tantas que muitas precisam ficar, literalmente, penduradas no teto. E as compras dos clientes ainda são anotadas em cadernetas.

Tudo começou em 1943, quando Zé Totó tinha 13 anos e o pai dele inaugurou a loja. Desde então, as portas da venda são abertas de segunda a segunda às 8h e só fecham às 21h15. Até no Natal e no Ano Novo é possível comprar no local. O único dia em que o religioso Zé Totó não vende nada é a Sexta-Feira da Paixão, quando ele se reúne com a família. Mesmo assim, conta que fica inquieto em casa, olhando para a rua e acompanhando o movimento.

“Muita gente passa o dia aqui na loja, nós já nos tornamos uma família. Eu gosto de estar sempre aberto porque as pessoas podem precisar de alguma coisa de última hora para o chuveiro, por exemplo, e elas precisam ter onde comprar. Tem também os alimentos que podem ser necessários com urgência. Esse é meu serviço, servir a quem precisa”, justifica. O armazém está sempre cheio. Tem quem fique por lá bebendo cerveja na única mesa, ou até no balcão.

Sempre sorrindo e contando histórias, é o carisma de Zé Totó que cativa os moradores da região, onde ele é conhecido por todos – mesmo sem ter placa na porta. Baixinho, com os óculos caídos no rosto, os cabelos já brancos e seu boné, Zé Totó esbanja a simpatia de um grande coração. “Eu puxei o bom coração da minha mãe. Às vezes eu compro almoço para algumas pessoas que ficam aqui na venda, porque eu sei que elas precisam”, conta.

Prateleiras e caixas. A loja mantém as antigas prateleiras de madeira com vidro e caixas que guardam produtos como meia-calça, agulha e linhas. Se não tem de tudo, tem quase: penicos, lamparinas, essências, velas e antenas parabólicas são alguns dos produtos por lá. “Aqui, quem procura encontra”, diverte-se Zé Totó. Quando um cliente não acha o que quer, ele trata logo de acrescentar aquele artigo ao seu mix.

Foi com o armazém que Zé Totó sustentou os seis filhos até a faculdade. “Eu também já ajudei alguns dos meus 13 netos que precisaram de mim”, orgulha-se.

Tropeiro. Zé Totó seguia o pai desde o tempo dos tropeiros – que saíam a cavalo comprando e vendendo mercadorias. “Foi assim que a história da venda começou, eu ajudava meu pai na época dos cavalos. Nós vínhamos para Belo Horizonte para vender e comprar”.

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