Funcionários valorizam benefícios não financeiros

Para 90%, horário flexível e outras vantagens fidelizam o empregado

iG Minas Gerais |

Trabalho. Participação de mulheres varia conforme a área
José Cruz/Agência Brasil
Trabalho. Participação de mulheres varia conforme a área

SÃO PAULO. Benefícios que vão além da licença-maternidade e do auxílio-creche para reter funcionários que têm filhos já são realidade em algumas companhias de grande porte no Brasil. As vantagens vão de berçários próprios, que funcionam n o expediente, passando por horário flexível e até bonificações financeiras a cada nascimento.

Pesquisa recente feita pelo Insper justifica a ampliação dos benefícios. O estudo verificou que, para 90% dos entrevistados, os recursos não financeiros são os que mantêm os funcionários na companhia ou levam um empregado a considerar uma oferta de emprego em outra empresa. A pesquisa aponta que apenas 20% dos trabalhadores consideram exclusivamente o valor do salário como prioridade.

Anna Carolina Frazão, que é mãe de João Pedro, de 2 anos, e gerente de Recursos Humanos da biofarmacêutica Bristol-Myers Squibb, afirma que esses recursos extras “estimulam os funcionários, que acabam ajudando na formação da marca” ao disseminarem a boa reputação da empresa. Ela foi contratada quatro meses após o filho nascer. “Vim trabalhar aqui porque sabia dos benefícios. Dei de mamar ao meu filho até um ano e dois meses. Nunca precisei terceirizar algo para a babá. Isso não tem preço”, diz ela, frisando que 54% dos empregados da Bristol são mulheres.

Ela desfruta de uma série de benefícios. Ela pode trabalhar em casa uma vez por semana e pode optar por iniciar o expediente entre 7h e 10h e encerrar a jornada entre 17h e 20h. Além disso, às sextas-feiras ela é liberada ao meio-dia. As regras também valem para funcionários que são pais.

Na avaliação da consultora sênior de Capital Humano da Mercer, Ana Paula Henriques, é mais fácil reter funcionárias em cargos mais altos – de analistas a executivas – por meio destes benefícios. A consultora lembra que é impossível para recepcionistas, por exemplo, contar com alternativas como o home office.

“Os benefícios aos empregados ainda têm muito a melhorar. Mas há a percepção dentro das empresas, sobretudo nas de grande porte, de que esses recursos dados no início da maternidade ou paternidade aproximam o funcionário e ampliam o comprometimento com o trabalho”, afirma. .

Ela pondera que é essencial que haja um reforço do comprometimento dos empregados com a companhia para que os benefícios sejam intensificados. Segundo dados levantados pela Mercer, 92% das empresas têm acertado nos acordos coletivos com os trabalhadores o pagamento de auxílio-creche. O valor médio, independentemente do cargo, é de R$ 446,50.

Filhos

Exemplos. Unilever, Natura e Avon têm berçários, a IBM tem professores para tirar dúvidas escolares dos filhos dos funcionários e O Boticário reembolsa os gastos com educação infantil.

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