Uma em cada dez pessoas não consegue demonstrar afeto

Bloqueio já foi relacionado com o autismo, anorexia e até depressão

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Frederico Elboni diz que não foi “educado” para falar das emoções
Reprodução / Facebook
Frederico Elboni diz que não foi “educado” para falar das emoções

Imagine viver sem conseguir distinguir o amor do ódio ou a alegria do medo. Esse universo sem emoções é a realidade em que vivem as pessoas com alexitimia – incapacidade de transmitir por meio de palavras o que está sentindo. “Geralmente são pessoas que falam pouco de si, evitam contatos sociais e se esquivam dos momentos de exposição como reuniões e apresentações”, afirma o psicólogo Elídio Almeida.  

Levando em conta os estudos de prevalência em diferentes populações, a Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) estima que pelo menos 10% da população mundial sofra desse comportamento.

No entanto, como as pesquisas em todo o mundo ainda são escassas, a psicóloga e coach espanhola Laura García diz que, por muitas vezes, os pacientes acabam sendo rotulados de acordo com a maneira como eles reagem aos outros ou pelos tipos de personalidade. “A alexitimia é muito confundida com a psicopatia, mas a diferença é que um psicopata é incapaz de sentir emoções, enquanto que o alexitímico não consegue expressá-la”, afirma.

Almeida explica que a alexitimia não é um comportamento inato, mas sim resultado do que foi aprendido em função das circunstâncias que a pessoa foi exposta ou interagiu durante a sua vida. Dessa forma, e até mesmo para o escritor e roteirista Frederico Elboni, 23, expressar seus sentimentos em algumas situações pode ser uma tarefa bem complicada.

“Isso costuma atrapalhar nos relacionamentos e acho que é mais difícil para os homens, do que para as mulheres, mas depende da criação que você teve. Na minha família nunca fui muito incentivado a falar e acabamos trabalhando essas situações por outro viés, demonstrando sentimentos mais pelas atitudes do que pelo dizer. Se eu ouvi eu te amo do meu avô duas vezes foi muito”, lembra Frederico.

Danos. Embora já tenha sido identificada a relação dessa dificuldade com outras doenças, como o autismo, anorexia, depressão e distúrbio do estresse pós-traumático, Almeida afirma que os prejuízos costumam ser mais em nível social.

Além disso, a questão cultural é fator agravante para que a alexitimia possa se tornar cada vez mais comum.

“Os casos infelizmente podem aumentar porque vivemos em uma sociedade muito pouco receptiva ao que é diferente. Uma das formas de prevenção é estimular e não punir as pessoas quando elas expressam seus sentimentos, isso favorece a construção de diálogos e relações mais espontâneos”, diz o analista de comportamento.

Assertividade no tratamento A assertividade é um tipo de comportamento que privilegia o direito que toda pessoa tem de se expressar sem culpas, remorsos ou arrependimentos. A técnica é apenas uma das estratégias usadas nos consultórios de psicologia para tratar a alexitimia. “A primeira técnica é o treino de habilidade social, usado para definir, entender e verbalizar o contexto. Já na assertividade é possível eliminar ansiedades e constrangimentos”, diz Elídio Almeida.

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