Internet de balão para grotões

Equipados com rádio, aeróstatos receberiam o sinal de um centro urbanoG

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Piauí. Lançamento foi feito no Aeroporto Nossa Senhora de Fátima
ANDREA DUNLAP/GOOGLE
Piauí. Lançamento foi feito no Aeroporto Nossa Senhora de Fátima

Com uma tecnologia criada há mais de 300 anos, mas já empregada na ciência, como nas avaliações atmosféricas, os balões agora vão poder ajudar a superar as limitações geográficas e de infraestrutura para levar internet às populações distantes dos grandes centros urbanos.

Sem cabos ou fibra ótica de última geração, os aeróstatos – aeronaves mais leves que o ar, entre as quais se incluem os balões e os dirigíveis – são a nova aposta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para, até o fim do ano, permitir que pelo menos dez localidades na região Norte do Brasil já estejam conectadas.

“As pessoas que estão distanciadas ficam prejudicadas, não só porque não veem Instagram e Facebook, mas porque, para vender seus produtos, por exemplo, elas precisam ter um instrumento que os coloquem à disposição. Sem internet, essas pessoas não participam da vida econômica do país. Elas perdem, e o Brasil perde também”, afirma o coordenador do projeto Conectar do Inpe, José Ângelo Nery.

De acordo com o Inpe, os balões utilizados serão ancorados, ou seja, fixados ao chão por meio de um cabo e, para evitar acidentes, o posicionamento do equipamento será informado a aeroportos e bases aéreas. Revestidos com um material mais resistente, os aeróstatos permanecerão de três a cinco meses no ar, e a expectativa é que eles tenham uma vida útil de cinco anos.

Rádio. “Para conseguir transmitir o sinal, eles seriam mantidos a uma altura média de 400 m, o que significa oito vezes mais do que as torres de transmissão convencionais. Equipados com estações de rádio, com suprimento de energia e de gás autônomo de longa duração, os balões receberiam o sinal de internet de um centro urbano e iriam retransmiti-lo por até 50 km de raio com velocidade de Wi-Fi em 2.4 GHz e 5.8 GHz”, explica Nery.

Segundo o coordenador, a opção de transmissão por meio do rádio foi escolhida porque o alcance das ondas é maior e permite irradiar o sinal de maneira uniforme e em todas as direções. Nery preferiu não revelar o modelo e o material de que serão feitos os balões, nem o custo de todo o projeto.

Mas, de acordo com Nery, há uma vantagem com relação aos custos empregados nesse tipo de tecnologia. “A ideia é que isso (o uso dos balões) fique competitivo com relação aos gastos atualmente com torres de transmissão”, afirma, apostando também que a internet “tenha uma velocidade maior e, além disso, não sejam necessários terrenos e licença ambiental. Os aeróstatos são instrumentos mais fáceis de lidar e não necessitam de nenhuma estrutura de alvenaria”, explica.

O Conectar já passou por cinco testes em diferentes regiões do país desde 2013 e enfrentou com sucesso condições adversas, como chuva e ventos de até 30 km/h. Por isso, Nery diz que agora só está aguardando uma resposta do Ministério das Comunicações. Porém, a pasta disse por meio de nota que o “projeto está em fase de análise”.

Como surgiu

História. Um dos pioneiros na criação de balões de ar quente foi o padre jesuíta brasileiro Bartolomeu de Gusmão, que, em 1709, conseguiu fazer o Passarola subir aos céus.

Google também aposta nos modelos e faz testes no Brasil O Google também tem um projeto que utiliza balões para transmitir sinais de internet a áreas remotas. O Loon foi lançado em 2013 e utiliza balões que duram cerca de cem dias na estratosfera. A empresa escolheu o Brasil para fazer o seu terceiro teste mundial, sendo o primeiro com a tecnologia 4G. A ação foi realizada no dia 6 de junho deste ano e foram lançados cinco balões a 18 km de Teresina (PI). Por cerca de uma hora, a turma do nono ano da Escola Linoca Gayoso, no município de Campo Maior, tiveram pela primeira vez aula com acesso à internet. Os balões utilizados nesse projeto são compostos por folhas de plástico de polietileno e todos os componentes eletrônicos são alimentados por painéis solares.

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