Baiana casa com alemão, vira baronesa e mora em castelo

Brasileira foi estudar e conheceu atual marido quando trabalhava como chef de cozinha

iG Minas Gerais | Manoella Barbosa |

Reinhardhauke / Commons
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Agosto está chegando ao fim, a manhã está nublada, e em uma estrada entre Swisttal, nos arredores de Colônia, e Bonn, a antiga capital da Alemanha Ocidental, Carla dos Santos Oliveira, uma baiana de 36 anos, está a caminho do otorrinolaringologista. A sinusite está atacada, conta a mulher ao telefone, e um resfriado está iminente, desde que voltou das férias de uma semana no sul da França.Berlim, Alemanha.  

Mãe de quatro filhos, a gastrônoma vive desde 2002 no país de Goethe e costuma fazer com frequência o trajeto, felizmente, não apenas para visitar o médico, mas também por razões profissionais. Afinal de contas, não é apenas a rainha da Inglaterra que precisa cumprir compromissos profissionais em nome da nobreza. Carla também.

Nascida em Salvador e criada em Porto Seguro, onde “vendia roupas da Zoomp”, Carla é hoje integrante da realeza alemã, com direto a um castelo medieval datado do século XIII, um antigo monastério do século XI, um brasão e um título de nobreza. Desde 2006, quando casou-se com um integrante de uma tradicional dinastia alemã, ela assina como Carla Freifrau von Boeselager – ou Carla Baronesa de Boeselager, em português.

Uma das dinastias mais tradicionais do país europeu, a árvore genealógica dos Boeselager se estende até 1363. O integrante mais famoso foi Philipp Freiherr Von Boeselager, tio-avô do marido de Carla. Philipp foi membro da conspiração militar que tentou matar Hitler, em 1944. Foi ele quem escreveu o livro “Valquíria, o Complexo contra Hitler”, que mais tarde seria levado às telas do cinema com Tom Cruise no papel principal.

Compromissos. Enquanto tenta disfarçar o incômodo com a sinusite, Carla conta do “peso na vida social” ao se adquirir um título de nobreza. “Tive que mudar meu estilo de vestir, claro. Antigamente, eu andava de calça jeans e tênis, hoje tenho que usar trajes mais sociais. Há também uma série de compromissos religiosos e sociais que tenho que cumprir, onde tenho que estar ao lado do meu marido, além de eventos com outras famílias nobres”.

Em 2004, Carla estava em Berlim para uma temporada de cursos de alemão e trabalhava como chef de cozinha para uma empresa de catering. Em um evento na embaixada brasileira na cidade, conheceu rapidamente Peter Freiherr von Boeselager, seu marido, um profissional da área de hotelaria.

“Eu já tinha terminado o meu trabalho, estava sentada em uma cadeira atrás da porta”, conta a baronesa. “De repente, alguém abriu a porta com força, batendo na minha cadeira. Eram dois homens, um deles de olhos bem azuis. Perguntei se poderia ajudar, mas eles saíram. Achei que erraram de porta e uns 15 minutos depois eu fui embora”.

Algum tempo depois, Carla recebeu uma ligação. O homem do outro lado perguntou se ela não se lembrava dele, de olhos azuis, na embaixada. Peter, o barão de Boeselager, havia pedido o telefone de Carla para um funcionário da cozinha.

Os dois começaram a se encontrar, e dois anos depois veio o casamento, na Alemanha e no Brasil. “A cerimônia religiosa aconteceu na Matriz da Nossa Senhora da Pena, em Porto Seguro, e depois houve uma festa na estrada para Arraial d’Ajuda”, lembra. Um mês depois, quando os noivos regressaram à Alemanha, houve uma grande festa no pátio do castelo feudal onde vivem. Para a ocasião, foram convidadas 200 pessoas.

Carla trouxe de uma relação anterior dois filhos, hoje com 19 e 18 anos. Do casamento com Peter, vieram Diana, 6, e Luna, 4. Para a baiana, o convívio com a família no Brasil é importante, por isso, as visitas da mãe são sempre bem-vindas.

“Minha mãe vem todos os anos e fica três meses com a gente no castelo. Ela faz coxinha, empadinha e, se deixar, cozinha arroz e feijão todos os dias!”, brinca a baronesa, que deve ter herdado da mãe o talento para a cozinha. “A família do meu marido adora a comida brasileira. Eu faço um vatapá que a minha sogra adora”, revela Carla.

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