Dilma precisa de mais emoção

PT avalia que campanha na TV está muito “técnica” e que há uma distância dos movimentos sociais

iG Minas Gerais |

Expointer. No discurso, Dilma disse que vai manter os créditos subsidiados para a agricultura brasileira
Ichiro Guerra / Dilma 13 - divulgação
Expointer. No discurso, Dilma disse que vai manter os créditos subsidiados para a agricultura brasileira

São Paulo. A um mês das eleições, o comando nacional do PT se reuniu nesta sexta em São Paulo para avaliar o cenário para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Na primeira parte do encontro, setores do partido fizeram críticas à propaganda na televisão de Dilma, às dificuldades de diálogo com os movimentos sociais e de defesa da reforma política após os protestos de junho de 2013.

A cúpula da legenda também discute uma estratégia para tentar desgastar a presidenciável Marina Silva (PSB), que se tornou a principal adversária da petista na briga pelo Palácio do Planalto.

Segundo relatos, petistas avaliaram que a propaganda de Dilma, coordenada pelo marqueteiro João Santana, está excessivamente técnica, com muitos números, faltando “emoção” e “discurso social”.

Integrantes do partido dizem que é importante o governo mostrar o que fez, mas que também é preciso apresentar ao eleitor um projeto futuro para tentar reagir ao desgaste do partido, que está no poder há quase 12 anos.

A reclamação é que os comerciais destacam muitas obras, sem mostrar o impacto direto da mudança na vida cotidiana nos brasileiros. A ideia é que o filme petista consiga municiar a militância para ir às ruas em defesa da reeleição da presidente.

Na reunião, o governo também foi criticado por não ter patrocinado a defesa, após os protestos de junho, da realização do plebiscito para reforma política diante da resistência dos partidos aliados. Houve críticas ainda de que falta um acesso direto de Dilma aos movimentos sociais, tradicional eleitorado do PT, deixando a interlocução apenas nas mãos do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).

NOVO BRASIL. O PT vai tentar colar em Marina, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, o rótulo do retrocesso. Após reunião, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que Marina representa um projeto “antipopular, antinacional, ortodoxo do ponto de vista econômico, conservador do ponto de vista dos diretos humanos, regressivo na reforma política e que prejudica o trabalhador”.

Segundo Falcão, Dilma é que representa a nova política. Os novos ataques a Marina também foram repetidos em um documento divulgado pela cúpula do PT.

O texto diz que Marina tem “propostas radicais”, similares às do tucano Aécio Neves, e que os dois oposicionistas “vestem a fantasia da mudança” e de “suposta nova política”, mas que estão a serviço dos grupos que os apoiam, não da população.

Substituição

Mantega. O presidente do PT, Rui Falcão, disse que Dilma não fez indicação da troca do ministro Guido Mantega (Fazenda) para tentar acalmar o mercado. “Foi para a população”, disse.

Decisões Veto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o Conselho Regional de Medicina de Goiás interrompa o envio de uma carta a seus associados em que pede votos contra a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Ilegal. O ministro Herman Benjamin enxergou ilegalidade na iniciativa do conselho e, em decisão liminar, determinou o fim da remessa da carta. Licença. Um dos principais nomes da campanha de Dilma Rousseff em 2010, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) não deve, por ora, deixar o cargo para pedir votos em tempo integral para a petista. Expediente. Cardozo diz que vai pedir votos depois das 18h e aos fins de semana.

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