Menino atacado por tigre só terá prótese quando for adulto

Especialista diz que hoje não há tecnologia para o caso dele

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

O ataque a Vrajamany aconteceu dia 30 de julho, em Cascavel
Reprodução/Youtube
O ataque a Vrajamany aconteceu dia 30 de julho, em Cascavel

O garoto Vrajamany Fernandes Rocha, 11, que teve o braço amputado após ser atacado por um tigre em um zoológico de Cascavel, no Paraná, passou recentemente por testes para verificar a possibilidade de receber uma prótese.

Os exames foram feitos na Conforpés, empresa especializada em próteses ortopédicas, em Sorocaba, no interior de São Paulo. Porém, como a criança teve o braço dilacerado, impossibilitando a reconstituição, o que levou à amputação na altura do ombro, as possibilidades de ele usar uma prótese são remotas por enquanto, revelou a O TEMPO Nelson Nolé, proprietário da empresa e técnico em ortopedia.

“Ele veio fazer os testes, mas só quando ele estiver adulto haverá condições de colocar uma prótese por comando cerebral”, afirma.

Nolé explica que, no caso do garoto, houve um “arrancamento pelo ombro, ou seja, não tem uma alavanca (parte do membro para fixar a prótese), nem a musculatura que permitiria captar o sinal cerebral”.

Segundo o técnico, que possui mais de 58 anos de experiência, a condição de Vrajamany é diferente da situação do ciclista David Santos Souza, 22, que também perdeu um braço em março do ano passado, após ser atropelado na avenida Paulista, em São Paulo.

“O David perdeu o braço 20 cm abaixo do ombro, e isso dá uma movimentação. A prótese que ele usa é biônica, de altíssima tecnologia, uma das mais avançadas do mundo. O material possui sensores que são colocados nos músculos para receptar o sinal naquele ponto e enviar ao cérebro. A ligação é externa, não precisa de cirurgia e controla 14 movimentos”, explica Nolé, também responsável pela prótese do ciclista.

Futuro. No caso de Vrajamany, é preciso esperar o menino crescer para que não somente desenvolva a musculatura, mas, principalmente, para que surjam novas tecnologias. “É preciso uma prótese que permita equilibrar a coluna. Ficar com só um braço provoca sérios problemas como escoliose, e é preciso fazer a compensação física. Já existem tecnologias que captam o sinal cerebral da coluna, mas inda não permitem movimentar o braço”, diz.

Lembre o caso

Acidente. O ataque aconteceu dia 30 de julho, quando o menino visitava o zoológico com o pai e um irmão. Ele foi atacado pelo tigre depois de colocar a mão dentro da jaula para alimentá-lo.

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