Montese também teria falhas

Consol afirma que viaduto cedeu 30 cm neste ano por erro de execução semelhante ao Guararapes

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

O motivo que fez o viaduto Montese, na avenida Pedro I, ceder cerca de 30 cm no início deste ano teria sido um erro de execução, conforme a Consol, que fez o projeto da estrutura. O problema, segundo a empresa, seria semelhante a uma das falhas que ocorreu durante a construção do Batalha dos Guararapes, que caiu há dois meses, na mesma avenida. Os dois elevados foram os únicos entre dez que não tiveram acompanhamento da projetista durante a obra. Um deles, o Guararapes, não tem previsão de ser reconstruído após a implosão no próximo dia 14. O outro (Montese) era para ter sido entregue em maio, mas só deve ser liberado no fim do ano.

Em fevereiro, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) interditou a avenida Pedro I por três dias no entorno do Montese, no bairro Santa Branca, em Venda Nova, ao perceber um deslocamento lateral da estrutura na preparação de concretagem. Na época, a informação era que houve falhas na sustentação e que elas poderiam levar a um desabamento. Engenheiros da prefeitura e da construtora Cowan fizeram um plano de emergência para conter os danos. “Houve uma mudança no aparelho de apoio do pilar, que não estava no projeto. Ele é metálico, fica entre a viga e o topo do pilar, e é fundamental na estabilidade da estrutura”, explicou o diretor da Consol, Maurício de Lana. Segundo ele, a construtora pediu que a projetista ajudasse na correção do erro, e isso estaria documentado. O problema foi identificado e corrigido, mas o viaduto continua fechado. A primeira previsão de entrega fornecida pela Sudecap à reportagem, antes da tragédia do Guararapes, era há quatro meses. Nesta sexta, a pasta informou que seria no fim do ano, após conclusão de alguns trabalhos. “O viaduto Montese ainda não foi liberado, pois ainda está em fase de finalização das obras de sinalização viária, iluminação, adequações geométricas (retificação de meio fio e passeio), remanejamento da adutora da Copasa. Após a entrega da obra, a liberação para o tráfego fica a critério da BHTrans”, disse, por meio de nota. O elevado fará a ligação dos bairros Itapoã e Santa Branca e tem cerca de 130 m de extensão. A obra, que faz parte do Move da Pedro I, foi iniciada em março de 2013. De acordo com a Sudecap, quando o Montese cedeu, foi feita uma “criteriosa avaliação”, descartando riscos. “A prefeitura mantém um processo constante de monitoramento e fiscalização das obras em andamento”. Questionada pela reportagem, até o fechamento desta edição, a Cowan não deu retorno sobre o assunto. Entenda. A Consol alega que falhas de execução foram a causa da queda do Guararapes, em 3 de julho, e enviou um relatório à Polícia Civil. A perícia está analisando o documento, mas já adiantou que não irá modificar o conteúdo do laudo que apontou o erro de cálculo no projeto como causa do desabamento. 

Sobre o viaduto dos Guararapes Execução. Segundo a Consol, o que foi executado no viaduto Batalha dos Guararapes não corresponde ao projeto que ela fez. A mudança identificada no pilar do Montese também ocorreu na estrutura que desabou, segundo a empresa. O contrato da Consol para acompanhar as duas obras terminou em abril do ano passado. Erro no projeto. O laudo oficial da perícia já está nas mãos do delegado, que não tem previsão para concluir o inquérito. De acordo com o que O TEMPO adiantou, o dimensionamento errado da quantidade de aço necessária para o bloco de sustentação causou a queda. A memória de cálculo do projeto possui três erros que levaram a essa falha.

Perfuração será concluída neste sábado A perfuração dos pilares da alça norte para colocar os explosivos da implosão termina neste sábado. Com isso, a empresa Fábio Bruno, responsável pelo trabalho, pretende iniciar a montagem das telas de proteção em torno da estrutura, para evitar que fragmentos sejam lançados para longe. Um comunicado foi entregue nesta sexta aos moradores. A vistoria estrutural dos imóveis já foi feita pela Defesa Civil. Porém, segundo o síndico de um dos condomínios, Ricardo dos Santos, faltam apartamentos que estavam fechados. “O ideal seria que a vistoria incluísse nossos móveis que ficarão lá, mas só deve ser visto depois, se houver danos”, destacou Santos.

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