Família de Campos quer que União pague indenização a outras vítimas

Solicitação será apresentado ao Ministério Público Federal; irmão do presidenciável afirma que a legislação prevê métodos de das indenizações serem resolvidas de forma "intermediária" ou "definitiva"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Família de Campos quer que União pague indenização a outras vítimas
Roberto Pereira/Divulgação
Família de Campos quer que União pague indenização a outras vítimas

O advogado Antônio Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em Santos, quer que a União e a Cessna, fabricante da aeronave, paguem as indenizações às vítimas do voo e aos moradores afetados em solo.

O pedido da família de Campos será apresentado ao Ministério Público Federal. Além de Campos, outras seis pessoas morreram na tragédia, sendo quatro assessores, o piloto e o copiloto da aeronave.

"Não dá para buscar o [ressarcimento] do dano maior sem achar a razão de acidente. Mas, enquanto isso, não dá para esperar", disse o advogado à Folha sobre a situação dos familiares das vítimas e também dos moradores.

A investigação sobre as causas do acidente ainda não foram concluídas. No final de agosto, o irmão de Campos visitou os moradores e prometeu apoio às famílias.

"Eu não prometo uma coisa sem fazer. O partido [PSB] admite, no futuro, a possibilidade de ajudar em caso de ausência da seguradora."

A representação na Procuradoria tem como alvo a União porque, segundo ele, a base aérea de Santos não poderia ter autorizado o pouso da aeronave com o tempo ruim do dia do acidente. O advogado alega também que o sistema de auxílio de voo da base é "muito antigo e praticamente inoperante", o que "pode também ter influenciado". A base aérea de Santos de é responsabilidade da Força Aérea Brasileira.

Procurada, a FAB informou que não comentará as falhas apontadas por Campos. "À Força Aérea cabe apenas investigar o acidente para identificar os fatores contribuintes", disse, em nota.

Indenizações

Sobre as indenizações, o irmão de Campos afirma que a legislação prevê formas de serem resolvidas de forma "intermediária" ou "definitiva".

A "definitiva" depende do final das investigações, ainda sem uma data prevista. Por isso, o documento ao Ministério Público Federal sugere a "forma intermediária" para reparar os danos de forma mais rápida.

Para isso, os envolvidos, como a fabricante Cessna, devem acionar suas seguradoras. Ao final das investigações, podem recorrer, caso se prove que não estão entre as causadoras do acidente.

O advogado aponta falhas estruturais no avião, como a caixa-preta, que não teria gravado as últimas horas de voo. "Não é normal uma caixa-preta não estar funcionando. Se cai no fundo do mar, se acha e continua funcionando", disse. Além disso, ele entende que há um "erro de projeto" sobre o recolhimento de flaps em alta velocidade.

Os flaps são um dispositivo que, acionado, amplia a área das asas da aeronave para dar mais sustentação em baixas altitudes, como em pousos ou decolagens.

Procurada, a Cessna não respondeu até a conclusão desta reportagem. "Estamos acompanhando as investigações e em breve nos pronunciaremos sobre uma visão das causas do acidente", disse Campos.

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