Governo faz operação 'piloto' contra crime no nordeste

Em três dias de operação, 274 pessoas foram presas e 218 quilos de drogas foram apreendidos, em mais de 67 mil abordagens realizadas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O governo federal divulgou nesta sexta-feira (5), em Brasília, o balanço de uma operação experimental contra o crime organizado, realizada no Nordeste, sob a coordenação dos centros integrados de comando e controle. Foi a primeira operação conjunta realizada após a Copa do Mundo pelos centros -unidades criadas para garantir a segurança do país durante o Mundial.

Em três dias de operação, 274 pessoas foram presas e 218 quilos de drogas foram apreendidos, em mais de 67 mil abordagens realizadas. Também foram apreendidos explosivos, armas e munições. De acordo com o Ministério da Justiça, mais de 9 mil homens e mulheres da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército e do Corpo de Bombeiros e polícias Militar e Civil dos nove Estados do Nordeste participaram da ação. As forças policiais foram coordenadas pelos quatro centros do Nordeste.

"Imagina se a gente fizer isso nacionalmente. O crime organizado sofrerá muito com isso", afirmou o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), que desde o fim da Copa defende que os centros integrados funcionem de forma permanente no país.

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, anunciou que enviará, nas próximas semanas, uma proposta de emenda constitucional ao Congresso para tornar permanentes os centros de comando e controle. A iniciativa visa ampliar o papel da União nas estratégias de segurança pública para todo o Brasil.

Segundo Cardozo, o Nordeste foi escolhido para ser a primeira região alvo da operação experimental contra o crime organizado porque, segundo ele, é uma região onde os secretários de segurança mantém diálogo permanente.

"Um dos principais problemas que temos na segurança do país é a falta de integração entre as forças policiais. A Copa rompeu essa cultura. Alguns achavam que não se poderia fazer isso durante as eleições. Foi um projeto piloto [a operação no Nordeste]. Os resultados nos surpreenderam positivamente", disse Cardozo.

Depois da Copa, o governo federal decidiu doar às forças de segurança dos 12 estados-sede todos os equipamentos adquiridos para o Mundial. O Ministério da Justiça já previu no Orçamento para o próximo ano recursos para expandir os centros e criá-los nos demais Estados do país.

Uso político

Ao divulgar o balanço, Cardozo evitou se apropriar a proposta e disse que todos os candidatos são livres para defender operações conjuntas como modelo a ser seguido para combater a violência no país.

"Aquelas candidaturas proporcionais e majoritárias que quiserem defender esse tipo de postura, [o balanço da operação] é público. Quem achar que a integração é uma alternativa deve usar, deve que defender [a ação integrada entre Estados e governo federal]. Quem achar que está errado, que ataque. O Ministério da Justiça não tem intenção que se utilize ou não utilize", afirmou Cardozo, ao ser questionado se Dilma usaria os números da operação em sua campanha.

O ministro disse ainda que o governo federal quer levar o modelo de operação conjunta de combate ao crime, testado no Nordeste, a outras regiões do país. A próxima etapa será uma ação coordenada nas fronteiras.

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