Carol Gattaz chega ao Minas para exercer função inédita na carreira

Ao lado da central Walewska, ela será a mais experiente do elenco, tendo a missão de comandar um jovem time dentro de quadra

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Carol Gattaz ainda trabalha forte para chegar ao mesmo nível físico das companheiras
Divulgação
Carol Gattaz ainda trabalha forte para chegar ao mesmo nível físico das companheiras

A longa trajetória de Carol Gattaz no vôlei não preencheu todas as experiências que são possíveis para uma atleta. Com 33 anos e 1,91m, a central chega ao Camponesa-Minas para exercer um papel que ainda não havia sido de sua responsabilidade em outros times: o de ser uma líder. Ao lado da companheira de posição Walewska, ela terá a missão de comandar o time dentro de quadra. "Já tive essa função em equipes que já atuei, mas de uma outra forma, até porque os elencos tinham várias atletas de alto nível. Será a primeira vez que jogo em uma equipe com tantas jogadoras jovens. Será importante passar essa experiência para elas, estou muito motivada", garante a atleta, vencedora de cinco Grand Prix pela seleção brasileira.

Sem treinar com bola desde o fim da última Superliga, Gattaz ainda corre atrás do prejuízo para chegar no mesmo nível das novas companheiras. "Elas estão treinando desde junho. Eu, desde então, fiz trabalhos físicos todos os dias, mas a falta de contato com a bola faz diferença. Aos poucos, vou me aproximando delas e vou conseguir isso somente com o tempo. Entre 15 e 30 dias, acredito que estarei muito bem preparada. Não vai faltar vontade para evoluir a cada dia", mostra a central.

Promessa não cumprida

Na última temporada, ela defendeu o Vôlei Amil-SP, que montou uma equipe de alto nível, comandada por José Roberto Guimarães. A promessa dos investidores de que o time não acabaria não foi cumprida por forças maiores. "A empresa foi comprada por uma outra dos EUA e eles não tiveram o que fazer. Foi uma pena, era um grande time. Ouvimos boatos, mas acreditamos que o time não terminaria. O Brasil tem a melhor seleção do mundo, mas o campeonato interno precisa de mais consistência", acredita.

Para ela, é inevitável que times acabem e outros surjam a cada temporada. "Dependemos muito do mercado e de empresas dispostas a investir. A Camponesa está dando um bom exemplo, acreditando no vôlei feminino. Queremos que isso seja uma constante para que, no próximo ano, o Minas tenha um time ainda mais forte. Isso pode motivar outros patrocinadores, também", revela.

Decisão

Após ficar sem time, Gattaz recebeu propostas de fora do Brasil, mas nada que despertasse muito o seu interesse. "Resolvi arriscar e esperar mais um pouco. Eu já vinha conversando com o Minas e, no final, tudo deu certo. Queria muito continuar jogando a Superliga. Acho que o vôlei nacional precisa da gente. Quero ficar mais um ou dois anos, até aposentar", mostra.

A carreira da central pode estar no fim, mas sua motivação é de uma iniciante. "Acho que dá para jogar até mais uns quatro anos. Vai depender muito do corpo e do mercado. Fui recebida de braços abertos pelas meninas e tenho certeza que faremos um ótimo trabalho. Temos que levar o Minas até as posições mais altas que forem possíveis", projeta.

Seleção

Ciente de que sua contribuição na seleção brasileira já foi dada, ela gostaria muito de voltar a fazer parte do elenco verde-amarelo, mas sabe que o momento é de outras. "O Brasil conta, hoje, com Fabiana, Adenízia e Thaisa, que são jogadoras excelentes e mais novas que eu. Tive o prazer de jogar do lado delas, mas minha parcela de ajuda já foi dada. Se eu for chamada, vou com o maior prazer. Mas vejo o momento delas e de outras, como Carol, do Unilever, e Angélica, melhor para jogar na seleção. O que faltou para mim foi uma Olimpíada, mas sou feliz com o que fiz pelo meu país", completa.