Otan cria força militar para reação rápida à Rússia no leste da Europa

Esta força permitirá à Otan "manter uma presença no leste do território da aliança", afirmou o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen em coletiva de imprensa durante a cúpula da Otan no País de Gales

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Otan, a aliança militar ocidental, decidiu criar uma nova força militar de reação rápida diante da preocupação dos países do leste da Europa pela crise na Ucrânia e também para fazer frente à ameaça que representa a facção radical Estado Islâmico, indicou o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen nesta sexta-feira (5).

"O momento de segurança que enfrentamos é mais imprevisível do que nunca: a Rússia está atacando a Ucrânia e há instabilidade no Oriente Médio e no norte da África. Nestes momentos turbulentos, a Otan precisa estar preparada para poder se defender", disse.

Esta força permitirá à Otan "manter uma presença no leste do território da aliança", afirmou Rasmussen em coletiva de imprensa durante a cúpula da Otan no País de Gales.

"Acabamos de acertar um plano de mobilização para reforçar a defesa coletiva da Otan", disse Rasmussen, afirmando ainda que alguns países se ofereceram para abrigar os contingentes que serão mobilizados de maneira não-permanente.

Membros da Otan do leste europeu, incluindo a Polônia, têm apelado à Otan por uma base permanente de soldados em seus territórios para impedir ataques russos.

Porém, a Otan rejeita essa ideia, devido a um acordo de 1997 com a Rússia, segundo o qual a aliança se comprometeu a não posicionar permanentemente forças significativas de combate no leste.

A força-tarefa, de 5.000 soldados, fará parte de uma força militar de reação já existente.

O primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou nesta sexta, o segundo dia da cúpula da Otan, que o Reino Unido está disposto a contribuir com 3.500 militares para a força de reação já existente, dos quais mil iriam para essa nova força-tarefa.

O presidente polonês, Bronislaw Komorowski, saudou a criação da força militar e anunciou que seu país sediará a próxima cúpula da Otan em Varsóvia, em 2016.

Adesão

Sobre a possível adesão da Ucrânia à Otan, algo que a Rússia condenou, a aliança militar disse que nenhum país terceiro pode vetar sua política de expansão.

Assim, a Otan aprovou medidas para adesão da Geórgia na aliança. O país teve um conflito com a Rússia em 2008.

Sanções

Mais cedo, o secretário britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse que os países ocidentais vão adotar novas sanções contra a Rússia em razão da crise na Ucrânia, mas salientou que elas poderiam ser removidas se uma proposta de cessar-fogo entre o governo ucraniano e os separatistas se consolidasse.

A Otan exigiu na quinta-feira (4) que Moscou retirasse suas tropas da Ucrânia. União Europeia e Estados Unidos estão preparando uma nova rodada de sanções econômicas contra a Rússia pela sua incursão no país.

"Se houver um cessar-fogo, se for assinado e, então, implementado, podemos olhar para a retirada das sanções, mas há um grande grau de ceticismo sobre se essa ação vai se materializar, se o cessar-fogo será real", declarou Hammond à BBC TV.

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