Casais, garotas espiãs e punks

Programação de hoje da mostra traz diversidade etária e geográfica, com destaques de Inglaterra, Japão e Suécia

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Rebeldia. “Nós Somos as Melhores!” segue três garotas que querem ser punks sem saber tocar nada
Sofia Sabel
Rebeldia. “Nós Somos as Melhores!” segue três garotas que querem ser punks sem saber tocar nada

Um casal moderno e solitário, que não consegue mais dialogar. Um trio de adolescentes que quer ser (ou ao menos parecer) punk. E uma jovem japonesa que pode ser uma mulher apaixonada ou uma espiã. Poderia ser a descrição das pessoas em uma fila do Indie Festival, mas são na verdade os destaques da programação de hoje da mostra.

O primeiro deles será exibido já às 15h, na sala 1 do Belas Artes. Apresentado na seleção competitiva de Locarno em 2013, “Exibição”, da inglesa Joanna Hogg, recebeu uma das descrições insólitas por um crítico no festival: “Michael Haneke segundo Miranda July”.

“Tem o mal-estar e o vazio dos diálogos dela, de deixar as coisas meio nuas e sem se encaixarem. Mas não é um filme fácil, não dá pra rir como nos longas da Miranda”, descreve a curadora do Indie Francesca Azzi. A produção inglesa retrata um casal de artistas, sem filhos, que vive em uma casa de arquitetura moderna em Londres. Divididos por concreto e vidro, os dois trabalham em áreas separadas, comunicando-se pelo interfone.

Para Azzi, “Exibição” reflete a vida a dois contemporânea, com a solidão e o vazio que invade um casal há muitos anos juntos. “Tem uma coisa meio soturna de que rapidamente todo mundo pode entrar em pânico e surtar, mas, ao mesmo tempo, nada acontece, e o filme explora esse desconforto”, analisa.

Para quem quiser algo menos existencialista e um pouco mais surreal, melhor esperar até as 19h20 por “O Sétimo Código”, de Kiyoshi Kurosawa. “É daqueles diretores que, independentemente de ser um filme maior ou menor, tem que ver e prestigiar porque é um nome muito importante do cinema japonês”, atesta Azzi sobre o diretor, que já recebeu uma retrospectiva no Indie.

Kiyoshi Kurosawa, por sinal, venceu o prêmio de melhor diretor no festival de Roma pelo longa sobre uma garota japonesa que vai até Vladivostok atrás de um homem por quem ela se diz apaixonada. Mas a trama pode não ser bem o que ela promete. “É uma história de espionagem com um toque do Kurosawa. Não é um thriller porque tudo dele tem uma temporalidade diferente”, avisa a curadora.

E para os fãs da cultura japonesa, Azzi adianta que “O Sétimo Código” é também um estudo interessante do universo do j-pop, com um quase videoclipe no meio do filme e personagens que lembram desenhos animados. “A construção da protagonista é quase um mangá de tão absurda, e o longa tem uma leveza e uma coisa jovial bem diferente dos filmes dele”, comenta.

Jovial também é a palavra-chave de “Nós Somos as Melhores”, às 21h10. História de três adolescentes que tentam montar uma banda punk nos anos 80, o longa marca o retorno do cineasta sueco Lukas Moodysson (“Para Sempre Lylia”) ao universo jovem do início da carreira.

“É uma comédia de erros sobre a geração da década de 80, que não teve nenhum movimento próprio e acabou vivendo um punk tardio”, avalia Azzi. Apesar de a trama soar como uma história bobinha, a curadora afirma que não há nada perfeito no filme, que fala da questão da identidade adolescente, um mal-estar universal. “No fundo, elas estão buscando um caminho como qualquer menina da idade delas. Elas se olham no espelho, veem uma imagem muito neutra e resolvem mudar”, define.

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