François Hollande não gosta de pobres, afirma ex-mulher

Jornalista que foi traída por presidente francês lança livro que já se tornou sucesso de vendas

iG Minas Gerais | Da Redação |

União. François Hollande e Valérie Trierweiler viveram juntos no palácio presidencial por um ano e meio
Jacques Brinon/associated press – 3.9.13
União. François Hollande e Valérie Trierweiler viveram juntos no palácio presidencial por um ano e meio

A fúria de uma mulher traída parece mesmo não ter limites. Que o diga o presidente da França, François Hollande, que tem parte de sua vida pessoal exposta nas páginas do livro “Merci pour ce moment” (Obrigada por esse momento), da jornalista Valérie Trierweiler, 49, sua ex-mulher.

A obra, lançada nesta quinta, virou o principal assunto do dia no país europeu e ganhou repercussão por todo o mundo.

No livro, Trierweiler afirma, dentre outras coisas, que Hollande “não gosta dos pobres”, a quem ele chama, segundo a autora, de “sem dentes” e teria “orgulho” dessa tirada de humor. O presidente teria apelidado a ex-mulher de “Cosette”, personagem do romance “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, em razão da origem humilde da ex-primeira-dama.

Ela descreve o ex-marido como um homem “frio, cínico, que não sorri, menospreza os outros e que se desumanizou após a conquista do poder”.

O perfil traçado pela jornalista, aliás, contrasta com a imagem de Hollande, de uma pessoa bem-humorada, que adora fazer brincadeiras, prefere evitar disputas e que não saberia impor sua autoridade.

Trierweiler relata ainda uma tentativa de suicídio logo após descobrir que estava sendo traída por Hollande com a atriz Julie Gayet, 42. “A notícia sobre Julie Gayet estava no noticiário da manhã”, diz um trecho do livro. “Eu corro para o banheiro. Pego essa sacola de plástico com os calmantes. François me segue. Ele tenta rasgar a sacola… Ele pega a sacola e rasga… Eu consigo juntar algumas delas. Eu quero dormir, eu não quero viver nas próximas horas”, relata a jornalista em seu livro.

Sigilo. A obra, de 320 páginas, foi escrita nos últimos meses em segredo. Segundo a BBC, para evitar vazamentos, a ex-mulher de Hollande trabalhou em um computador não conectado à internet, e os livros, impressos na Alemanha, só foram transportados para a França na última quarta-feira, de caminhão.

Hollande só teria ficado sabendo da existência da obra na terça-feira passada.

Repercussão. Após o lançamento do livro, o governo francês pediu respeito e dignidade. “Precisamos de respeito à vida privada e dignidade no debate público”, afirmou o primeiro-ministro francês Manuel Valls, após conhecer os primeiros trechos da obra.

Ségolène Royal, companheira de Hollande por 30 anos antes de Trierweiler, criticou a jornalista. “Isso é um absurdo”, disse Ségolène, afirmando que Hollande sempre demonstrou suas preocupações com as necessidades dos setores mais carentes da sociedade durante a carreira na política regional.

Apenas 13% aprovam o presidente PARIS, França. No dia em que sua ex-mulher lançou um livro contando detalhes sobre o relacionamento dos dois, o presidente francês, François Hollande, atingiu um novo recorde negativo de aprovação. Uma pesquisa mostrou que Hollande é o presidente mais impopular na França desde a Segunda Guerra Mundial, com a aprovação de 13% da população. Ele perdeu o apoio de muitos eleitores de esquerda pelo fraco desempenho econômico de seu governo, que levou o índice de desemprego a ultrapassar os 10%, e estagnou o crescimento nacional.

Novela amorosa 2005. Valérie Trierweiler e François Hollande começam a se relacionar, quando ele ainda estava se relacionando com Ségolène Royal 2007. Hollande e Ségolène se separam Maio 2012. O presidente francês se muda com Trierweiler para o Palácio do Eliseu, em Paris Junho de 2012. A jornalista apoia, pelo Twitter, um adversário de Ségolène nas eleições legislativas Janeiro de 2014. A revista “Closer” expõe o caso secreto do presidente com a atriz Julie Gayet. A separação foi anunciada duas semanas depois de o romance clandestino vir a público

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