Guarda denuncia que 29 das 37 câmeras têm defeito

Ao menos 9 aparelhos só funcionaram nos dois primeiros meses depois de instalados; investimento foi de R$ 1,3 mi; contrato com empresa responsável pela manutenção está vencido

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Anunciadas como um grande reforço no combate à violência em Betim – considerada a quarta cidade mais violenta do Estado, segundo Mapa da Violência 2014 –, pelo menos 29 das 37 câmeras instaladas nas ruas do município em 2012 não estão funcionando.

A denúncia foi feita por um guarda municipal, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, na última semana. Segundo ele, parte dos equipamentos cabeados com fibra ótica está há pelo menos quatro meses inoperante. Outros nove que têm transmissão de dados via rádio teriam funcionado apenas nos dois primeiros meses após a instalação. “Hoje, apenas oito câmeras estão funcionando, mesmo assim, precariamente”, garante a fonte, ao ressaltar que os equipamentos instalados no município não são de boa qualidade. “Muitas câmeras não transmitem cor durante a noite, têm o foco ruim e apresentam problemas mecânicos”, completa.

Desde março de 2013, os equipamentos, que ficam na central de monitoramento instalada na sede da prefeitura, no bairro Brasileia, não estão sendo acompanhados pela Polícia Militar, e, sim, pela Guarda Municipal.

O assessor de imprensa do 33° batalhão, tenente Danilo Antonioni, explicou à reportagem de O Tempo Betim que as ocorrências que são de competência da corporação são repassadas aos policiais que atuam na sala de operações. “A Guarda observa as imagens e despacha as ocorrências para a equipe de coordenação da sala de operações, que, há cerca de dois meses, voltou a funcionar na sede da prefeitura”, disse.

O assessor, porém, não soube precisar quantos chamados da Guarda Municipal foram registrados no 33º batalhão neste ano. “Não fazemos esse acompanhamento, mas, sem dúvida, as câmeras não deixam de ser um reforço à segurança dos cidadãos”, disse. Investimento As câmeras, que estão instaladas em pontos considerados estratégicos nas regiões do PTB, do Alterosas, do Imbiruçu, do Teresópolis e do centro, receberam investimentos dos governos federal e municipal na ordem de R$ 1,3 milhão.

No entanto, segundo o guarda, há meses o município não tem executado a manutenção temporária dos aparelhos prevista no processo licitatório. “Essas câmeras, que deveriam ser um reforço à segurança pública, na verdade, serviram para desviar verba pública aos bolsos dos envolvidos na compra desses equipamentos”, denuncia.

“Há cerca de dois anos, a própria Guarda, a pedido da Superintendência de Segurança Pública do município, fez uma auditoria e descobriu uma desobediência à previsão do edital licitatório. A suspeita é que cerca de R$ 400 mil tenham sido economizados na compra dessas câmeras”, completa.

Resposta A prefeitura negou que as 29 câmeras não estejam funcionando e ressaltou que o contrato de garantia da empresa que realizava a manutenção expirou, mas que já está em andamento o processo licitatório para contratação de outra empresa preste o serviço.

O Executivo lembrou, ainda, que o município receberá, em data não prevista, outras 20 câmeras de monitoramento. Já a PM informou que serão 32 equipamentos, a partir de outubro.

Diante de tanto impasse, a população critica. “Falta sintonia entre as autoridades competentes. Enquanto isso, a gente fica refém da insegurança”, critica o vendedor Gabriel Souza.  

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