O mercado dos sentidos

Próximo de completar 85 anos, o Mercado Central de Belo Horizonte reforça a vocação de ser um lugar plural, onde habita uma variedade de produtos, cores, sabores e cheiros

iG Minas Gerais | Felipe Bueno |

Mercado Central completa 85 anos
LEO FONTES / O TEMPO
Mercado Central completa 85 anos

Projetado no centro de Belo Horizonte, com o intuito de abastecer a cidade, o Mercado Central ganhou, ao longo dos anos, status de ponto turístico, por reunir produtos típicos de Minas Gerais. Perto de completar 85 anos, o centro comercial é, hoje, um local onde as pessoas vivenciam um clima interiorano, com mais tempo para feirantes e clientes construírem relações de amizade.

Para Suely Mota, 50, que está à frente do Ponto do Queijo, loja especializada em queijos e outros derivados do leite, herdada do pai pelo irmão, o mercado conserva a tradição e história da cidade. “As pessoas vêm por se sentirem mais à vontade. Elas querem tocar os produtos, estar em contato com o outro. É uma relação diferente. Ao contrário de um shopping, onde as pessoas estão de passagem e vão com o intuito único de comprar, aqui, elas voltam para conversar. Alguns vêm e compram um pedaço de queijo todos os dias, só para voltar”, conta, entre interrupções para um habitual cumprimento aos clientes.

Andar pelos corredores do mercado sugere experimentar cores, sons, sabores e texturas. O local, que possui 400 lojas, onde tudo se encontra, virou referência para quem procura por itens específicos, como artigos religiosos, ervas e raízes medicinais, açougue, aquários, artesanato, bares e restaurantes, loja de bebidas, condimentos, quitanda, floricultura, hortifruti e laticínio.

Quem vive o cotidiano da capital mineira, centro urbano que mudou muito nos últimos anos, tem o mercado como um oásis. A pressa e confusão da cidade contrasta com o modo tranquilo de quem passeia pelo lugar, com olhos atentos a cada bazar. No Bar da Lora, a proprietária Eliza Fonseca já presenciou casais se conhecendo, amizades sendo formadas e até conheceu turistas estrangeiros. Experiências que, para ela, tornaram-se grandes aprendizados. “Eu faço muitas amizades aqui. Fui madrinha de casamento de um casal que se conheceu no meu bar. Acho interessante essa multiplicidade de pessoas, de diferentes classes, que passam pelo mercado todos os dias. Isso torna o meu trabalho mais divertido, e aprendo algo novo sempre”, diz. A cada visita, há sempre algo novo a ser descoberto. O prédio octogenário é testemunha de histórias e causos. Na loja Cachaça de Minas, como relata a gerente Eny Borel, certa vez, um cliente chegou à vendedora e disse que levaria uma garrafa de cada marca. O fato, inicialmente, foi encarado com espirituosidade. “Um rapaz chegou aqui extrovertido e perguntou quantas marcas tínhamos e disse que levaria todas. Encaramos a situação como uma brincadeira e começamos a sorrir. E, realmente, ele levou uma de cada, totalizando nove carrinhos de supermercado só de cachaça”, lembra.

História

O Mercado Central surgiu, primeiro, da reunião de feirantes, ao ar livre, em um terreno próximo à Raul Soares, sob a iniciativa do prefeito Cristiano Machado, com o objetivo de centralizar o abastecimento da cidade. As primeiras barracas foram montadas em 7 de setembro de 1929. Desde então, o comércio passou por mudanças estruturais.

No ano de 1964, o então prefeito Jorge Carone apresentou empecilhos na administração da feira e decidiu pela venda do terreno. Com o propósito de manter as atividades, os comerciantes se juntaram, criaram uma cooperativa e compraram a área. Mais um obstáculo, contudo, transporia-se frente aos comerciantes: a prefeitura impôs um prazo de cinco anos para a construção de uma galpão coberto. As obras foram concluídas no ano de 1969 com o financiamento de um banco local. Hoje, com o fôlego do turismo, o lugar continua fortalecendo o comércio.

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