Defesa de Cadu pede vigilância 'redobrada' no presídio de Goiás

Assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, ele recebe tratamento para esquizofrenia em liberdade desde agosto de 2013

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A defesa de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 28, solicitou ao Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia (a 16 km de Goiânia), onde Cadu está preso desde quarta-feira (3), que a vigilância seja "redobrada".

Depois que a prisão preventiva de Cadu foi decretada pela Justiça, ele passou a noite sozinho em uma cela no presídio de segurança máxima. Segundo o advogado Sérgio Divino Carvalho Filho, um ofício foi enviado nesta quinta (4) à diretoria da prisão pedindo que seu cliente continue em isolamento.

"Por conta da gravidade do fato que envolve um agente penitenciário, pedimos e mandamos um ofício para mantê-lo em cela isolada e para redobrar a segurança. Os próprios presos podem tentar algo ou ele mesmo pode tentar suicídio", disse Carvalho Filho.

Cadu é suspeito de praticar um latrocínio e uma tentativa de latrocínio, nos dias 31 e 28 de agosto, respectivamente, em Goiânia.

No assalto do dia 28, o agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes da Abadia foi baleado na cabeça. Ele está internado em estado grave. No domingo, Matheus Pinheiro de Morais, 21, foi morto após ter o carro roubado.

Assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Cadu recebe tratamento para esquizofrenia em liberdade desde agosto de 2013.

Um relatório interno da Secretaria de Saúde de Goiânia ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso aponta que o pai dele, Carlos Grecchi, relatou à equipe do Caps Vida, que acompanhava seu tratamento, preocupação com alterações de comportamento do filho dias antes dos crimes da última semana.

"Já temos elementos para indiciá-lo nos dois latrocínios. Ele foi reconhecido por testemunhas como o criminoso que abordou as vítimas e efetuou os disparos", diz o delegado Thiago Damasceno Ribeiro, que investiga o caso.

De acordo com a Sapejus (Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça), Cadu toma banho de sol separado dos demais detentos como "medida protetiva". Em nota, a pasta informou que ele recebe o mesmo tratamento concedido aos outros presos.

O Núcleo de Custódia recebe presos que "cumprem sanções disciplinares ou quando são adotadas medidas administrativas de segurança sobre o preso", segundo a nota.

Cadu matou o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho dele Raoni Vilas Boas em 2010, mas foi considerado inimputável devido à esquizofrenia. Ficou internado em São Paulo e foi transferido para uma clínica de Goiânia, em 2012, para ficar próximo do pai.

Em 2013, a juíza Telma Aparecida Alves autorizou que seguisse o tratamento em liberdade, com base em parecer favorável de uma junta médica do Tribunal de Justiça, do Ministério Público e do Paili (Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator).

Segundo o Paili, Cadu era atendido periodicamente por psicólogos e psiquiatras. Os relatórios dos atendimentos, segundo o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, mostravam que a esquizofrenia estava estabilizada. De acordo com o Paili, o último relatório, de agosto, mostra um quadro "positivo" de Cadu.

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