O vendaval Marina atinge Dilma, mas pode deixar Minas de fora

iG Minas Gerais |

DUKE
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Antes da trágica morte de Eduardo Campos, cheguei a fazer uma profecia (que arrogância!), mas que permaneceu tão somente entre os amigos mais chegados. Valeu-me o juízo de nada escrever a respeito, mas tinha pensado comigo mesmo: “Se o candidato socialista mantiver, até o início de setembro, aqueles minguados 9%, ocorrerá uma alteração na cabeça da chapa”. Campos seria inteligente para não insistir no erro? Cederia (a fórceps) o lugar a Marina Silva? Ou o imprevisto só surgiu porque tal hipótese jamais ocorreria por iniciativa do pernambucano? Pelo sim, pelo não, ou na impossibilidade dessa troca, o destino cumpriu o seu papel e mais uma vez o imprevisto dominou, por instantes, não apenas a vida em si, mas o grande teatro que é a política. A morte trágica não foi uma solução; foi uma crueldade com os que ficaram (refiro-me à família do morto). Ninguém desejaria o sacrifício de um jovem e promissor político no momento em que procurava alçar grandes voos pelos belos céus deste imenso e tão castigado Brasil. Digo isso porque, como já disse na semana passada, não foi a morte do jovem pernambucano, ex-governador consagrado no seu Estado, que levou Marina Silva a conquistar os pontos que até agora conquistou. Na realidade (e todos os partidos sabiam disso), ela já os conquistara antes, conforme noticiara a “Folha de S.Paulo”, estribada em pesquisas feitas pelo Instituto Datafolha, nas quais se procurava medir o potencial da candidatura da ex-senadora. Ela já havia alcançado os 27%, que se tornaram 29%, e estes foram logo depois ultrapassados. Tudo indica que Marina Silva atingiu em cheio a presidente Dilma, mas Aécio Neves também pode ter sido alcançado. Dentro de duas semanas, saberemos todos se ele tem capacidade para se recuperar e surfar sobre o vendaval. Ou se o melhor para o PSDB será pavimentar o caminho e partir para o combate ao inimigo comum. Está bem claro, pois, que a sucessão presidencial se complicou, mas não excluiu o PSDB mais à frente. Excluídos do primeiro turno, com certeza os tucanos terão condições privilegiadas no segundo. Não perder as eleições em Minas para a Presidência da República e para o governo se tornou imperativo entre os tucanos. Não é à toa que o comando da campanha se volta agora para as eleições aqui. Pimenta da Veiga, o vice Dinis Pinheiro, Anastasia e Aécio Neves dedicar-se-ão, doravante, à demolição do que os principais adversários fizeram em torno dos nomes “Pimenta” e “Pimentel” – uma confusão dos diabos, mas em tempo de ser, dizem eles, desfeita. No quartel-general do PT, a tensão aumentou: o percentual de indecisos preocupa-o, e Pimenta da Veiga sobe devagar e consistentemente, coisa que se deu na eleição de Anastasia, em 2010. Por ora, dizem alguns analistas, o candidato do PT se esbalda sobre um colchão aparentemente confortável, mas ao mesmo tempo sob um teto desconfortável. Dispõe de perigosos 33%. Na eleição de 2010, Costa e Patrus, na mesma época, obtiveram 46% contra 26% de Anastasia. O resultado, todos sabem: Anastasia foi eleito no primeiro turno. Perderam Costa, Ananias e, para o Senado, Pimentel. Noutros Estados eleitoralmente importantes, Dilma e Lula perderam a esperança. E, para aumentar a frequência cardíaca, os dois ainda temem a entrega do seu governo à aliança entre uma ex-petista com o PSDB. Pauladas dolorosas nas duas cabeças imperiais! A política, repito, dispõe da sua própria dinâmica.

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