Aplicativo permite criar ranking de intenção de voto

Smartphones viram ferramenta de pesquisa informal

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

Anônimo. VotaAção não divulga os dados dos usuários, apenas as intenções de voto no ranking
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Anônimo. VotaAção não divulga os dados dos usuários, apenas as intenções de voto no ranking

Se depender de alguns desenvolvedores de software, nenhum eleitor vai usar a falta de informação como desculpa para não escolher seu candidato. Agora, além de procurar dados, os usuários de smartphone podem participar de pesquisas informais de intenção de voto.  

Essa é a ideia por trás do aplicativo para Android VotAção. Mesmo não tendo registro oficial no TSE, a ferramenta já pode captar a intenção de voto dos quase 4.000 usuários. O aplicativo foi criado pela empresa JMM Tech, sediada em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. Nele, é possível visualizar vários dados dos candidatos, como a declaração de bens, biografia e cargos anteriores, por exemplo. Com o perfil em mãos, o usuário pode dizer então se “aprova” ou “desaprova” o político e se votará nele.

É possível “aprovar” até 20 candidatos para um mesmo cargo, mas declarar voto em apenas um. Com as “aprovações”, “desaprovações” e votos de todos os usuários, o aplicativo constrói um ranking de candidatos para cada cargo, sem revelar quem votou em quem. Como cada celular só pode computar os votos de uma pessoa, não há como “burlar” as regras votando várias vezes para inflar os dados.

Na lógica das pesquisas, quanto mais pessoas derem a sua opinião, mais representativa ela será. Nesse quesito, o VotAção tem a seu favor o fato de ter conquistado mais de mil downloads por dia, desde seu lançamento no último dia 1º de setembro.

Para a cientista política da FGV, Luciana Salgado, esse tipo de aplicativo pode cair, sim, no gosto do usuário, principalmente por ser anônimo. “Acho que pode dar certo, porque preserva a identidade do eleitor. Nem todo mundo quer declarar seu voto abertamente. E também tem um benefício para o usuário que declara em quem quer votar, mas tem acesso ao ranking dos candidatos”, analisa Luciana Salgado.

O diretor da JMM Tech e um dos desenvolvedores do VotAção, Ernani Machado, afirma que, no que depender dos criadores, os resultados continuarão sendo anônimos. “Não compartilharemos os votos e nem temos a intenção de vender as informações para nenhum político”, garante.

Celular não pode entrar em cabine de votação Muitos usuários têm aproveitado os novos aplicativos para usar o smartphone como “cola” e lembrar o número de cada candidato no momento de votar. Entretanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe que o eleitor entre na cabine de votação com o aparelho celular, que deve ser entregue ao mesário no momento da votação. O objetivo, segundo o TSE, é evitar que os eleitores sejam coagidos por terceiros a tirar fotos no momento do voto para comprovar a votação em um determinado candidato. Para votar, basta levar o título de eleitor e um documento com foto. O eleitor também pode levar até a cabine um papel com os números de seus candidatos anotados, mas a distribuição de santinhos, mesmo com espaço para anotações, é proibida no dia da eleição.

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