Rodin no Viaduto das Artes

Projeto inaugura nova galeria de arte, no Barreiro, com exposição de nove réplicas autenticadas do escultor francês

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Esculturas. Algumas das obras mais importantes de Rodin, ao alcance do público no novo espaço
Joao Godinho/O Tempo
Esculturas. Algumas das obras mais importantes de Rodin, ao alcance do público no novo espaço

Há sete anos, o Viaduto do Barreiro não se distinguia das outras construções de concreto hostis a seres humanos em Belo Horizonte, com intenso trânsito de pessoas em condições deploráveis de convivência, como o odor acentuado de urina e o consumo de drogas. Mas a criação do Viaduto das Artes transformou a paisagem, com uma ocupação artística que levou vida cultural ao local, incluindo um ateliê de arte e uma biblioteca.

A partir de hoje, será esse o cenário a abrigar um conjunto de nove réplicas de esculturas de Auguste Rodin (1840-1917), adquiridas no Museu de Rodin e autenticadas pelo Louvre – ambos em Paris. Essas peças inauguram uma galeria de arte embaixo do viaduto, pronta para oferecer uma programação continuada de exposições à comunidade da região.

Entre as obras do artista francês em exibição estão algumas de suas criações mais famosas, como “O Beijo” e “O Pensador”. A pequena coleção pertence à empresa Vallourec desde 2002 e, desde então, já foi exibida outras vezes em Minas Gerais, em locais como a rodoviária de Belo Horizonte, uma década atrás, e em Brumadinho, no ano passado. Nunca é demais, porém, ver de perto trabalhos com a expressividade e a riqueza de detalhes na representação da forma humana como são os do escultor.

A maior das réplicas tem 80 centímetros de altura. Parte delas mantém o tamanho original tal como foram criadas por Rodin para a “Porta do Inferno”, um projeto grandioso inspirado na descida ao inferno narrada por Dante Alighieri em “A Divina Comédia”. Com o tempo, porém, algumas esculturas se destacaram pela singularidade. Foi o caso de “O Beijo”, retirada em 1886 do Portal para tornar-se independente – e não interferir na harmonia do projeto.

“São as obras mais importantes do Rodin”, diz Leandro Gabriel sobre o conjunto em exposição. “Ele é um ícone de qualquer arte. É referência pela sua ternura e pelo modo como dedicou sua vida à arte. É importante poder ver de perto o trabalho de um grande mestre, um dos maiores escultores que já existiu”, diz o escultor Leandro Gabriel, um dos responsáveis pelo projeto do Viaduto das Artes.

Acesso. “Existe uma pesquisa de que 93% da população brasileira nunca foi a uma exposição de arte”, comenta Leandro. “E, na região do Barreiro, não existe um espaço desse porte para uma galeria de arte. O mais interessante é que as pessoas poderão tocar, sentir o material e a textura de cada obra, acho que será uma grande conquista para o bairro”, opina.

A próxima exposição abrigada pela nova galeria deve ser “Os Catadores”, reunindo fotografias, esculturas, videoinstalações e performances para retratar o universo dos catadores de papel e de sucata da região. “É uma forma de dar visibilidade às pessoas que mantêm a cidade limpa”, diz Leandro.

Esse viés social marca as atividades do Viaduto das Artes. “Temos várias ações principalmente para alunos de escolas púbicas e público de baixa renda”, conta Sandra Lane, outra responsável pelo projeto. “É interessante porque as pessoas começam a perceber que a arte pode estar ali do lado delas, inserida no dia a dia, e deixam de ser espectadoras e passam a ser protagonistas. Elas têm a questão do pertencimento”, acrescenta Sandra.

Ela comenta que a região é passagem para um grande número de gente, saída da porta de uma fábrica, um bar ou da SLU (Superintendência de Limpeza Urbana). “Elas começam a descobrir um outro olhar para um local que poderia ser abandonado e feio, mas onde podem trazer a família e usufruir”, acredita.

Agenda

O quê. Exposição de Rodin no Viaduto das Artes

Quando. Abertura hoje, às 19h. Visitação de 2ª a 6ª, das 9h às 17h. Até o dia 24.

Onde. Viaduto do Barreiro (av. Olinto Meireles, esquina com av. Afonso Vaz de Melo)

Quanto. Entrada franca

Obras Por 37 anos, Auguste Rodin criou a “Porta do Inferno”, obra grandiosa inspirada na primeira parte de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Algumas das esculturas da exposição foram originalmente criadas para esse projeto. É o caso de: “O Filho Pródigo”, “O Beijo” (baseado no Canto V , sobre o romance adúltero romance entre Paolo e Franccesca Rimin) e “O Pensador” (as leituras variam de que seja Dante refletindo sobre seu poema, um condenado ou um juiz). Outros destaques: “O Ídolo Eterno”. Nesta escultura de casal, o homem ajoelhado expressa sua adoração à mulher. O estilo é de um romantismo semi-impressionista e semi-realista. “O Burguês de Calais” Inspirada na Guerra dos Cem Anos, quando o porto francês de Calais ficou sob domínio inglês. Os personagens têm gestos desesperados. “O Banho”. Outra amostra da qualidade de Rodin para compor cenas com sentimentos fortes. A mostra expõe ainda as esculturas “As Sereias”, “O Ídolo Eterno”, “A Dançante” e “A Toalete de Vênus”.

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