Janelas para experiências

Novas mostras e galerias são inauguradas em Inhotim

iG Minas Gerais | carlos andrei siquara |

Obras de Geta Bratescu, que fazem uma reflexão sobre o feminino
Rossana Magri
Obras de Geta Bratescu, que fazem uma reflexão sobre o feminino

Um encontro com a arte performática, musical e obras recentes adquiridas pelo centro de arte contemporânea de Inhotim acontece nesta quinta. No local, o artista filipino, radicado em Londres, David Medalla, realiza uma performance em frente ao lago próximo à obra “Magic Square #5, De Luxe”, de Hélio Oiticica, às 14h. Uma hora depois, os músicos Jards Macalé e Jorge Mautner se apresentam no mesmo local, próximo à árvore Tamboril.

Essa programação se soma a abertura de uma nova galeria, centrada nas pinturas de Carroll Dunham, da montagem “Cidade Adormecida”, com instalação do tcheco Dominik Lang, e da exibição de obras de Geta Bratescu, artista romena cujas obras foram adquiridas recentemente pela instituição. A escultura cinética “Bubble Machine”, de Medalla, é outra criação que, ao lado das outras duas mostras, ocupam a galeria Lago, agora repaginada. Rodrigo Moura, diretor de arte e programação cultural de Inhotim, recorda que esses projetos acompanham o movimento de renovação dos ambientes expositivos em execução desde 2013. “No ano passado, as galerias Fonte, Praça e Mata foram remodeladas em seu conteúdo. Desta vez, mostramos novos trabalhos, como os de Dominik e os de Geta, na galeria Lago, que também passou por mudanças, viabilizando o acesso às exposições por duas entradas”, explica ele. As novidades trazem ao público possibilidades de fruição diversas. A começar pela casa onde há décadas serviu como sede a uma das fazendas que hoje abarca o museu, estão acolhidas cinco telas de Dunham. O norte-americano, que aqui esteve em 2005, concebeu peças a partir de sua relação com a natureza presente em Inhotim. Para manter esse diálogo, foram feitas reformas na habitação antiga preservando o formato das portas e janelas finalizadas apenas com vidro. “Dunham pinta uma série de árvores que se comunicam com o ambiente que abriga a obra ‘Piscina’, de Jorge Macchi, e a ‘Palm Pavillion’, de Rirkrit Tiravanija. Desde que recebemos essas telas pensamos em como apresentá-las. Dentre as outras linguagens, que expomos aqui, essa é sem dúvida uma das mais delicadas para se lidar, mas encontramos nesse ambiente doméstico uma forma de conexão das obras com o cenário externo”, afirma Allan Schwartzman, curador chefe do museu. Embora se volta ao tema da natureza, para Schwartzman, Dunham não deixa de imprimir nas suas composições reflexos de um mundo subjetivo. “Nós visualizamos árvores como se elas estivessem ‘cropadas’. Os recortes, por sua vez, refletem um olhar que nos conduzem a um universo psicológico que poderíamos associar um estado de raiva ou incômodo com a opressão”, acrescenta. Há alguns metros dali, na galeria Lago, enquanto Dominik se debruça sobre peças concebidas em gesso, propondo a partir delas um arranjo especial, Geta elege o tecido e o papel, como uma dos principais meios de expressão. De acordo com Moura, o primeira lida com peças legadas ao artista tcheco pelo próprio pai que tinha o mesmo ofício. “Nessa instalação, Dominik está apresentando uma maneira de lidar com essa herança. Todas as esculturas foram produzidas pelo pai dele, mas a distribuição delas tem sua assinatura. Esta é uma possibilidade de leitura dessas memórias”, observa o curador. Já Geta coloca parte de suas reflexões sobre o universo feminino em composições abstratas. A natureza também aparece em suas colagens como uma referência e dois vídeos se mostram como vias de acesso à vida e aos processos criativos da romena, que aos poucos passa a ser mais conhecida no mundo. “Tanto Dominik quanto Geta são dois nomes que nós chegamos após pesquisas recentes. Fazem parte de nosso olhar para outras partes do mundo, pensando na ideia de se acolher outras geografias”, comenta Moura.

Serviço Nesta quinta. Inauguração da galeria de Carroll Dunham e montagens de Dominik Lang, Geta Bratesku, além de escultura de David Medalla; performance de Medalla, às 14h, e show de Jorge Mautner e Jards Macalé, às 15h, próximo a árvore Tamboril Domingo. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, às 15h, na árvore Tamboril 13/9. Lenine, às 15h 12/10. João Bosco, às 15h

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