Banco Central confirma apostas e mantém Selic em 11%

Essa é a terceira manutenção seguida do juro básico, após uma sequência de nove altas, iniciada em abril do ano passado

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (03), manter a taxa Selic em 11% ao ano. Foi a terceira manutenção seguida do juro básico, após uma sequência de nove altas, iniciada em abril do ano passado.

A decisão já era aguardada pelo mercado, devido à economia fraca, após dois trimestres seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses deste ano. Em relação ao segundo trimestre de 2013, a economia do país encolheu em 0,9%.

O resultado do primeiro trimestre também foi revisado para queda de 0,2% (contra alta de 0,2% informado anteriormente). Isso, segundo alguns economistas, coloca o país em um quadro de recessão técnica.

Os juros altos estão entre os motivos apontados para o baixo nível de investimentos por parte da iniciativa privada. No segundo trimestre, por exemplo, os investimentos em máquinas para a produção, transporte, agropecuária, energia, entre outros, e em construção civil tiveram forte retração de 5,3%.

O próximo encontro do Copom está marcado para 28 e 29 de outubro, logo após a data marcada para o segundo turno das eleições.

A maior parte dos economistas vê a estabilidade no juro básico até o fim de 2014, pelo menos. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que a manutenção era a aposta de 53 dos 54 economistas ouvidos -apenas um via corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic a 10,75% ao ano.

A avaliação se baseia no enfraquecimento da economia e no alívio recente na inflação, apesar de os preços ainda permanecerem pressionados em 12 meses.

O IPCA, índice oficial da inflação no país, ficou em 0,01% em julho, ante 0,40% no mês anterior. Em 12 meses, porém, alcançou 6,50%, exatamente o teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5% ao ano, com margem de dois pontos para cima ou para baixo.

De acordo com a versão mais recente do relatório Focus, do Banco Central, as instituições financeiras consultadas pela autoridade esperam que o índice oficial de preços no país tenha alta de 6,27% em 2014.

A Selic é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro/barato, conforme os juros sobem ou descem.

Perspectivas

Analistas ouvidos pela reportagem descartam novas elevações -ou cortes- na Selic até o final deste ano. O economista Flávio Combat, da Concórdia Corretora, avalia que "o mais provável é que o BC promova um novo aperto monetário em 2015, tendo em vista o conjunto de preços que terão de ser ajustados (gasolina, energia elétrica, tarifas de transporte) e o seu impacto inflacionário". Assim, Combat projeta que a Selic estará em 12,25% ao ano no fim de 2015.

O comitê de acompanhamento macroeconômico da Anbima manteve a mediana de projeções para a Selic em 12% para o final de 2015. "Foi considerada a possibilidade de que um ambiente de maior confiança entre os agentes econômicos, sobretudo em função de indicativos de uma política fiscal menos expansionista, possa reduzir a necessidade de elevação de juros", indica, em relatório.

No entanto, ressalta, não há consenso em relação às estimativas, que variam de 11% a 13%, o que, de acordo com o comitê, "indica o grau de incerteza dos analistas quanto à trajetória dos juros em um contexto de baixo crescimento e de pontos ainda por serem esclarecidos em relação aos próximos passos da política econômica".

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