Com bronze na bagagem, minastenistas destacam experiência em Mundial

Apesar de resultado do Brasil ter ficado abaixo da expectativa, judocas mineiros aprovaram performance na Rússia

iG Minas Gerais | Diego Costa |

Atletas do Minas Tênis Clube integraram a seleção brasileira, que contou com 18 atletas em solo russo
Moisés Silva
Atletas do Minas Tênis Clube integraram a seleção brasileira, que contou com 18 atletas em solo russo

Quatro dos cinco judocas do Belo Dente-Minas que disputaram Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, se apresentaram ao clube mineiro nesta quarta-feira. Dentre eles, estava a medalhista de bronze Érika Miranda. Mesmo com o desempenho abaixo do esperado, o discurso adotado pelos atletas foi de satisfação com a experiência adquirida em solo russo, no fim do mês passado.

Alex Pombo, Mariana Silva e Ketleyn Quadros foram os outros que estiveram no Minas Tênis Clube. O judoca Luciano Corrêa só deve chegar a Belo Horizonte no fim de semana.

Assim como toda a equipe brasileira, os minastenistas também esperavam um ótimo desempenho no Mundial de Chelyabinsk, na Rússia. A Confederação Brasileira de Judô trabalhou com a meta de sete medalhas na competição, já que contavam com um grupo de 18 judocas, sendo oito entre os cinco melhores de cada categoria. Ao término, a conquista de quatro medalhas, sendo uma de ouro, uma de prata e duas de bronze, ficou abaixo do esperado. 

Érika Miranda admitiu que ambicionava mais que o bronze, mas destacou o feito. 

"Não era o resultado que eu esperava. Fui lá para ganhar. Infelizmente, tiveram umas pedras no caminho e não consegui. Sai com o bronze. Em relação ao Mundial do ano passado, achei mais forte. O bronze é muito positivo em uma competição desse nível. No geral, eu acho que o Brasil esperava mais medalhas das atletas mais experientes, mas são as mais visadas também dentro da competição, e talvez elas não foram tão preparadas para tudo. Poderia ter sido melhor, mas o resultado foi muito bom, principalmente para o feminino, que fez um pódio", comentou Érika que ficou em terceiro lugar na categoria até 52 quilos, ao bater a cubana Yanet Bermoy. 

Medalhista nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, Ketleyn Quadros era uma das principais apostas para o Mundial, mas acabou sendo derrotada logo na estreia, na luta contra Chen-Ling Lien, de Taipei. Para ela, o tropeço servirá de motivação na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. 

"Eu sai com mais vontade ainda de me dedicar, de treinar cada vez mais forte, pois este é o caminho. Claro que os tropeços acabam fazendo parte, ninguém se prepara para isso. Todos entram em uma competição querendo resultado. Estou tranquila porque realmente dei o meu melhor", pontuou Quadros. 

Outro que também chegou bem cotado foi Alex Pombo, que estava em quarto no ranking dos leves. Também foi superado logo na primeira luta, contra o belga Dirk Van Tichelt. 

"Acredito que a ansiedade fez um pouquinho de diferença. Na minha luta, estava bem, contra o atleta belga que já é medalhista no Mundial. Tinha estudado bem o adversário. Acabei errando uma posição que faço, de solo. Mas a experiência que tive lá, com o erro que acontece, trouxe uma bagagem para continuar o trabalho que venho tendo, a evolução para chegar no próximo Mundial e fazer uma melhor classificação", explicou Pombo, que disputou o primeiro Mundial da carreira. 

Já Mariana Silva chegou a vencer duas lutas, mas não conseguiu bater a francesa Anne Laure Bellard. 

"Achei que fiz boas lutas. Acabei perdendo a terceira para a francesa. É uma atleta que já havia estudado, sabia o jeito dela, mas mesmo assim não conseguir ter uma boa tática para ganhar a luta. Infelizmente perdi, mas foi uma boa experiência. Agora é continuar o trabalho e melhorar cada vez mais para chegar preparada nas Olimpíadas de 2016", disse Mariana.

Treinador e torcedor

Para o técnico do Belo Dente-Minas, Floriano de Almeida, que acompanhou de longe o sofrimento dos seus comandados, os minastenistas poderiam ter ido melhor em Chelyabinsk, mas entende as dificuldades que encararam na competição. 

"Acompanhei com bastante apreensão. É difícil quando eles lutam um Campeonato tão importante assim, e eu não posso estar junto. Estava na frente da televisão, torcendo. Embora seja impossível, estava tentando me comunicar com eles mentalmente lá (na Rússia), ficava dando instrução para a televisão. Mas foi uma expectativa muito grande por medalhas. Acho que o resultado nosso poderia ter sido melhor. Todos poderiam ter voltado com medalhas. Só que a gente sabe que um Campeonato Mundial, do ponto de vista técnico, é mais forte que os Jogos Olímpicos, mais atletas por categoria. É uma competição dura", disse Floriano.

Ficamos felizes com o desempenho deles. Talvez esse tropeço veio na hora certa, as Olimpíadas é daqui um ano e meio. Então, tem tempo de mudar planejamento. Vou esperar eles chegarem mesmo, para gente traçar os melhores rumos para os atletas", completou o treinador.