Verba do IBGE sofre corte porque é o 'último ano de governo'

Ministério do Planejamento disse, em resposta à reportagem, que "considera que o último ano de governo não é o momento adequado para tomar decisão sobre uma despesa futura desse montante"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Após determinar um corte nos recursos do IBGE para 2015, o Ministério do Planejamento disse, em resposta à reportagem, que "considera que o último ano de governo não é o momento adequado para tomar decisão sobre uma despesa futura desse montante".

O valor referido é de R$ 3 bilhões, o custo estimado para a realização do Censo Agropecuário e a Contagem da População. Ambos teriam sua fase de planejamento iniciada no próximo ano.

As pesquisas seriam realizadas, com a coleta de dados em campo, em 2016. Mas com o corte orçamentário determinado pelo Planejamento, pasta sob o comando da petista Miriam Belchior, o IBGE foi obrigado a postergar os dois levantamentos de natureza censitária para 2017, ou seja, dois anos após a data inicialmente prevista.

A ideia era planejar ambos neste ano, o que não foi possível diante do contingenciamento dos recursos da União.

O IBGE pleiteava um orçamento de R$ 776 milhões para 2014. Seu pedido foi negado pelo ministério, que só prevê uma despesa de R$ 204 milhões -suficiente apenas para as despesas correntes do órgão e a realização da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), que serve para atualizar o IPCA, índice oficial de inflação, pois mapeia o padrão de renda, despesa e consumo das famílias do país.

O instituto confirmou que o custo do Censo Agro e da Contagem da População é cerca de R$ 3 bilhões. Os valores são bem mais altos do que pesquisas por amostra. É que, assim como o Censo tradicional, a contagem visita todos os lares do país. O mesmo ocorre com outro levantamento adiado, que busca informações em todas as propriedades rurais brasileiras. Segundo o Planejamento, o corte, previsto no projeto de lei orçamentária, não corresponde a uma "decisão definitiva sobre o adiamento efetivo dessas pesquisas".

"Caso seja definido que há espaço fiscal para se manter o calendário original para 2016 será possível ampliar a dotação do IBGE ainda em 2015 para que as ações preparatórias sejam realizadas."

O fato é que o governo Dilma sobre uma deterioração na área fiscal, com dificuldades na arrecadação e no controle de despesas.

Histórico de atrasos

O Ministério afirmou ainda que "cabe lembrar que a última contagem populacional, pesquisa decenal, foi realizada em 2007". A pesquisa estava prevista para ser realizada em 2005, mas o governo Lula cortou recursos do IBGE, o que provocou o atraso em dois anos do levantamento.

Especialistas, sindicalistas e técnicos do IBGE enxergam na decisão do Planejamento uma forma de desprestigiar o órgão oficial de estatística do país, que sofre com atrasos recorrentes em seu calendário de pesquisas e com o esvaziamento de seu quadro de funcionários.

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