Em Düsseldorf, Alemanha e Argentina ressuscitam "clima de Copa"

Finalistas da última edição do Mundial se enfrentam, nesta quarta, em jogo amistoso. Alemães celebram retorno de Reus; argentinos não terão Messi

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

JEFFERSON BERNARDES/ VIPCOMM
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Cinquenta e dois dias depois, um reencontro. Para os saudosistas, uma oportunidade de matar as saudades da partida que decidiu aquela que foi considerada por muitos como a "Copa das Copas". Nesta quarta-feira, às 15h45 (de Brasília), Alemanha e Argentina se enfrentam em Düsseldorf, no primeiro amistoso das duas seleções finalistas do Mundial disputado neste ano, no Brasil. Das equipes que entraram no gramado do Maracanã naquele histórico dia 13 de julho, mudanças. A começar pelo status.

O fruto do planejamento alemão rendeu ao manto da "Die Nationalmannschaft" mais uma estrela de campeão do mundo. Agora são quatro a abrilhantar a constelação de craques à disposição de Joachim Löw. Lahm, Mertesacker e Klose se foram. Aposentados, mas realizados. O que tanto lhes faltava, chegou. Era hora de sair por cima. Agora, a Alemanha terá que se reestruturar. Uma missão que não parece ser tão complexa tendo em vista os talentos que o futebol germânico vem produzindo ao longo dos anos.

Para o compromisso diante dos argentinos, os alemães também na poderão contar com Schweinsteiger e Özil, ambos lesionados. Mas nada que estrague a festa dos tetracampeões do mundo. Marco Reus, que ficou fora da Copa por conta de uma torção nos ligamentos do tornozelo esquerdo, está de volta, assim como o experiente atacante Mario Gomez. Comprovando a mescla do plantel, Löw ainda fez questão de convocar o jovem zagueiro Antonio Rüdiger, de apenas 21 anos, um dos destaques do Stuttgart.

E para os alemães não têm este papo de "revanche". A partida, que já havia sido marcada antes mesmo da final da Copa do Mundo, servirá como preparação para as eliminatórias da Eurocopa. Um teste e tanto.   

"Esta partida estava programada há tempos. Foi uma casualidade. Queríamos um grande rival antes de começarmos as eliminatórias contra a Escócia. Com este jogo poderemos devolver às pessoas um pouco da sensação vivida no Mundial", afirma o técnico alemão Joachim Löw.

Se para a Alemanha o jogo é considerado como mais um amistoso, para a Argentina o compromisso significa uma nova era. Os vice-campeões do mundo mostraram um grande desenvolvimento tático durante a Copa, fruto do trabalho consciente do técnico Alejandro Sabella. Mas agora o comando da albiceleste está sob nova direção. Tata Martino, ex-Newell's Old Boys e Barcelona, fará sua primeira partida como treinador da Argentina. Um teste e tanto.

Martino não poderá contar com Messi. A maior estrela argentina sofreu uma sobrecarga na coxa direita e foi vetado para o confronto. Além do 10 estão fora Garay, Palacio e Lavezzi, cortados por problemas físicos. Chance então para os meias Nicolás Gaitán e Erik Lamela. Mantendo praticamente a base de dois meses atrás, o novo treinador argentino espera que sua equipe mantenha o ritmo apresentado durante a Copa do Mundo, até porque o novo ciclo até o Mundial da Rússia coloca no caminho hermano desafios como a Copa América do ano que vem, além do início das Eliminatórias Sul-Americanas.

"É uma partida de um nível de exigência muito alta. Vamos colocar em campo nossos melhores jogadores e ter um conjunto equilibrado para não sermos surpreendidos. Podemos nos equivocar nesta jornada, aprenderemos com os erros, mas o desequilíbrio sempre acaba sendo um problema para nós, treinadores", aponta Tata Martino, que apesar de não ter confirmado o time titular, já deixou claro o esquema tático que será usado nesta quarta.

"Seguramente jogaremos com um 4-3-3 e modificaremos a equipe de acordo com o posicionamento do meio-campo da Alemanha. Na Copa jogamos com um homem de frente e dois jogadores abertos; em outras partidas com dois homens fechando no ataque e um ponta", concluiu o treinador.

Possibilidade de "carimbar" a faixa

Logo após o título mundial conquistado pela Espanha, em 2010, a seleção Argentina enfrentou "La Roja" em um amistoso disputado no estádio Monumental de Nuñez. O ambiente era parecido com o vivido pelos argentinos atualmente. Maradona deixou o comando técnico e a seleção ainda aguardava pela definição de um novo treinador. Naquele compromisso, o comando da Albiceleste ficou a cargo do temporário Sergio Batista. Com um primeiro tempo avassalador e incrível interação do trio ofensivo Messi, Tévez e Higuaín, a Argentina carimbou a faixa da Espanha e aplicou uma goleada por 4 a 1. Mesmo sem Messi, os argentinos esperam repetir o feito, agora na casa do rival.

Polêmica à vista

Na festa de celebração do tetracampeonato, em Berlim, os jogadores alemães acabaram causando polêmica ao promoverem uma dança que fazia piada com os argentinos, derrotados na final da Copa do Mundo. Encurvados e de cabeça baixa, seis jogadores da Mannschaft cantaram: "Assim caminham os gaúchos, os gaúchos caminham assim". Na Alemanha, os argentinos são chamados de gaúchos.

Em seguida, com uma postura corporal correta e orgulhosa, cantaram: "Assim caminham os alemães, os alemães caminham assim". A repercussão gerou um comunicado oficial da Federação Alemã de Futebol lamentando a polêmica criada em torno do episódio.

Faixa de capitão

Sem Lahm, aposentado da seleção alemã, o técnico Joachim Löw anunciou que o novo capitão da equipe será Bastian Schweinsteiger. Já na Argentina, a braçadeira seguirá com Messi. Curiosamente, os dois não poderão cumprir com suas obrigações de liderança no amistoso desta quarta-feira já que estão lesionados. 

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