Marina admite mais mudanças

Candidata do PSB afirma que suas propostas estão em “movimento”, e poderão mudar até 2015

iG Minas Gerais |

LGBT. Marina Silva teve que explicar porque mudou seu programa em relação ao direito dos gays
ALICE VERGUEIRO
LGBT. Marina Silva teve que explicar porque mudou seu programa em relação ao direito dos gays

São Paulo. A candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva, não descartou novas mudanças no seu programa de governo porque, segundo ela, é característica das suas propostas estarem “em constante construção”. Marina afirmou que, desde que lançou o seu programa, na última sexta-feira, ela dizia que o conjunto de propostas estaria em constante “movimento”.  

“Só as pessoas com pensamento excessivamente cartesiano podem imaginar que um processo complexo como esse não tenha complementações a serem feitas”, disse a candidata durante a sabatina feita nesta terça pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

As perguntas foram iniciadas justamente a partir da questão LGBT retirada de seu programa, e Marina respondeu: "Uma questão importante é o fato que nosso programa de governo foi feito com a participação de mais de seis mil pessoas. Fizemos vários seminários temáticos e semanais. E a própria coordenação admitiu que houve uma falha no processo e que duas questões foram colocados inadequadamente. Uma na parte de ciência e tecnologia, e outra foi a contribuição que foi enviado pelo movimento LGTB. Eu e o Eduardo revisamos o programa página a página. E o que foi para editoração, fruto do debate entre diferente setores, não foi aquilo que havíamos conversado”, explicou.

Mudará mais. Marina Silva afirmou que, em caso de vitória da sua candidatura em outubro, é muito provável que o programa de governo sofra ajustes até a sua posse, no dia 1º de janeiro de 2015. “Se ganharmos, no período de transição, novos ajustes precisarão ser feitos”, disse.

A candidata também tentou valorizar o seu programa de governo, mesmo com as polêmicas provocadas por alterações feitas depois da divulgação do documento. “Pior que ter um programa em movimento são aqueles que não apresentaram nenhum programa”, afirmou, em referência aos adversários Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), que ainda não divulgaram os seus.

Não sou a primeira. Marina afirmou que não é a primeira vez que um programa de governo foi alterado antes das eleições. Ela deu como exemplo Dilma Rousseff na eleição presidencial passada. “Olha, tem muitas questões que as pessoas fazem uma certa mitificação. Nesse caso, não é a primeira vez que um programa de governo apresenta um erro de processo e não exatamente no mérito das questões trabalhadas. Em 2010 a presidente Dilma rubricou folha por folha e depois recolheu o programa inteiro. Ali havia o imposto sobre grandes fortunas, sobre o incentivo à invasão de terras e alguma coisa sobre o aborto. E depois ela explicou que o documento não era exatamente o que ela rubricou folha por folha. Eu não tenho compromisso com coisas erradas. E é com compromisso com coisas certas que nossa equipe fez a reparação Nada que comprometa nosso compromisso com os direitos LGTB”, disse Marina Silva.

Collor. Em resposta à propaganda do PT que a comparou ao ex-presidente Fernando Collor, Marina devolveu a comparação. “Pode ser uma escolha, a sociedade brasileira me conhece, conhece os valores que eu defendo, a luta que tenho há mais de 30 anos. Comecei como vereadora, fui deputada, senadora por 16 anos, ministra do Meio Ambiente. Imagina se eu dissesse que uma pessoa que nunca foi eleita vereadora fosse eleita presidente do Brasil, aí sim poderia parecer com Collor”, afirmou. Dilma foi eleita presidente sem ter ocupado nenhum cargo eletivo.

Entre cristãos

Para não dividir votos. O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) vai sugerir ao colega de partido, Pastor Everaldo, que desista da candidatura à Presidência para apoiar Marina Silva.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave