O espetacular Homem-Aranha e a Mocinha

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Todos juram que a Mocinha não é racista, que tem vários amigos negros e nunca cometeu nenhum ato discriminatório em seus 23 anos de vida. Mas, vejam só, foi flagrada por uma câmera de TV gritando para o goleiro do time que jogava contra o seu: “MA-CA-CO”. A Mocinha não foi a única a gritar “MA-CA-CO” no estádio naquele dia. Nem a primeira. Mas, vejam só, foi o rosto dela que virou a prova da discriminação sofrida pelo goleiro, que gritava indignado para que os cinegrafistas registrassem o ato. Registraram. Registraram justo a Mocinha, “no embalo”. A Mocinha só se deu conta do que tinha feito quatro horas depois de o jogo ter acabado. Não porque tenha feito um exame de consciência. A ficha caiu quando olhou suas redes sociais e teve a real dimensão das consequências do seu grito: “MA-CA-CO”. Foi ameaçada de morte e de estupro. A Mocinha, então, apagou suas redes sociais e se refugiou com a família na casa de parentes. A casa em que morava em Porto Alegre foi apedrejada. Sua sobrinha nem foi à escola por medo de represálias. Perdeu o emprego. A Mocinha está desesperada. Cansado de sofrer discriminação, o goleiro resolveu agir. Na hora. Exigiu que constasse na súmula do jogo o ato racista. Enfrentou os torcedores que o xingavam. Implorou para que os cinegrafistas registrassem os torcedores imitando macaco. Fez boletim de ocorrência. Após a partida e dias depois, deu entrevistas citando Martin Luther King. Questionou a responsabilidade dos clubes em incidentes envolvendo racismo, Quer que a lei que pune injúria racista seja cumprida. Quer mais. Quer que a Mocinha e todos os que o xingaram de “negro fedido” sejam proibidos “para sempre” de frequentar estádios. Quer que eles sirvam de exemplo para que outros não ousem cometer novos atos racistas. </CS><CS9>O goleiro, que tem um sonho, de um dia vivermos em uma nação onde as pessoas não serão julgadas pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter, não quer o linchamento público da Mocinha. </CS>O goleiro, que bateu no peito e disse: “Sou negão mesmo” diante dos torcedores que o insultavam, tem dó da Mocinha. E a Mocinha, acuada, ensaia um pedido de desculpas ao goleiro. Ele é um homem livre. Ela...

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