Colhendo frutos após 14 primaveras

FITB, assim como outros festivais na cidade, é responsável por trazer artistas que influenciam a cena local

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Humanos. Com um humor ácido, grupo mostra uma família de porcos em sua rotina neurótica do dia a dia, que se 
aproxima do comportamentos dos humanos
guto muniz / divulgação
Humanos. Com um humor ácido, grupo mostra uma família de porcos em sua rotina neurótica do dia a dia, que se aproxima do comportamentos dos humanos

Fazer um festival internacional em Belo Horizonte é coisa séria – é o que pensa Lelo Silva, coordernador do Festival Internacional de Teatro de Bonecos. “Nós nascemos depois do FIT (criado em 1994), então nós já nascemos com essa responsabilidade de sermos tão bons e tão grandiosos quanto ele”, pontua Silva.

Assim como seu “primo mais velho”, o Festival de Teatro de Bonecos, ao longo de sua trajetória de 14 edições, consegue aprofundar suas raízes e transformar a realidade vivida por artistas do gênero hoje. Se ambos festivais têm como um dos objetivos popularizar o teatro e atrair mais e mais gente, é no referencial artístico, sem dúvida, que ele consegue revelar aos artistas locais a diversidade do que é feito em outros centros artísticos. “É muito importante!” , comenta Eduardo Felix, integrante do grupo Pigmaleão Escultura que Mexe, que apresenta “O Quadro de Todos Juntos” no festival.

“Tem coisas que nós não poderíamos ver jamais se não tivesse o festival. Os artistas estão longe, na Europa. Eu posso dizer que sou cria do Festival de Bonecos. Não falo só por mim, tem muita gente que se interessou e começou a fazer teatro de bonecos por conta do festival”, completa Felix, cuja companhia tem sete anos de vida.

“Não há uma formação para teatro de bonecos e não falo apenas do ensino formal. Há essa lacuna, não temos cursos técnicos. De alguma forma, cabe ao festival esse papel formativo”, comenta Silva. Os estereótipos do teatro de bonecos são derrubados dessa forma, é o que pensa Felix. “As pessoas sempre relacionam o boneco com o folclore ou com o teatro infantil. O festival tem esse papel de mostrar que o teatro de boneco não se resume a isso”. Outro ponto de destaque é a convivência entre artistas de seis países diferentes, que estarão concentrados em 11 dias de programação no CCBB.

ESTREIA. Após ser muito bem recebido, no último festival de Cenas Curtas, quando mostraram um fragmento do novo trabalho, “O Quadro de Todos Juntos”, a Pigmaleão estreia o novo trabalho com a expectativa de que a cena, que mostra uma família de porcos em atitudes humanas, tenha uma acolhida semelhante. “Tem gente que eu gostaria que visse esse espetáculo daqui dois anos, quando ele estiver mais maduro, mas vai estar todo mundo aqui!”, comenta Felix, dando sinais de ansiedade pela estreia.

A cena curta, aliás, mexeu com a estrutura que Felix previa para o espetáculos. “Estão nascendo mais porcos. Eles se reproduzem muito rápido”, brinca ele. “A ideia inicial vinha de um quadro do Goya, que mostra a família do Carlos IV, rei da Espanha. Ali é impressionante que a gente consegue ver um quadro psicológico de todos os presentes na pintura. (A peça) Não seria necessariamente uma família de porcos. Partiria da loucura, essa loucura clínica, diagnosticada, mas foi substituída pela família, por essa loucura cotidiana, de todos nós”, finaliza Felix.

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