Erro foi na obra, afirma Consol

Relatório de projetista descarta problema em bloco como causa para desabamento de viaduto

iG Minas Gerais | joana Suarez |

Erros. Relatório da Consol alega que aberturas na laje do viaduto foram uma das causas da queda
DENILTON DIAS /O Tempo
Erros. Relatório da Consol alega que aberturas na laje do viaduto foram uma das causas da queda

Falhas construtivas seriam a principal causa da queda do viaduto, conforme a empresa que projetou a estrutura, a Consol. Dois meses após a queda do elevado, o diretor-presidente, Maurício de Lana, apresentou nesta terça a O TEMPO a análise da empresa sobre o desabamento. O documento contrapõe o laudo da construtora Cowan e as primeiras informações concedidas pela Polícia Civil. As conclusões da perícia serão entregues nesta quarta ao delegado responsável pelo caso.

Segundo Lana, o viaduto caiu por um conjunto de erros de construção. Ele aponta pelo menos cinco falhas em ações que não estavam previstas no projeto e teriam fragilizado a estrutura. Entre elas, 42 aberturas feitas na laje superior do tabuleiro – a Consol determinava que fossem apenas quatro, na parte inferior – conforme O TEMPO mostrou no último dia 22. “Não foi executado o projeto que fizemos. Eles (Cowan) fizeram muitas mudanças, e isso causou a ruína do viaduto, que ocorreu primeiro na região entre os pilares”. O relatório da Consol aponta que as escoras foram retiradas de forma forçada, antes da hora, já que as janelas no tabuleiro ainda estavam abertas. “A estrutura estava no limite de sua resistência. Quando se forçou para retirar as escoras, criou um movimento dinâmico, aumentou a carga no pilar e provocou a ruptura do bloco de sustentação, afundando o pilar”. Versões. A análise da projetista vem depois de a Polícia Civil apontar erros no projeto como uma das causas da tragédia. Há mais de um mês, a Cowan também havia apresentado sua versão do desabamento. Um perito contratado pela construtora mostrou que teria faltado 90% do aço necessário para que o bloco abaixo do pilar transferisse a carga do viaduto equilibradamente para as dez estacas na fundação. A perícia oficial deve revelar o erro de cálculo, mas não deve indicar a quantidade que teria faltado. Engenheiros especialistas em estruturas, porém, identificaram que o bloco precisaria de mais 85% de ferro . O diretor da Consol contesta o problema e alega que a falta de aço foi de apenas 20%. “O bloco tem uma pequena diferença, mas não é razão suficiente para a estrutura cair. Ele suportaria tranquilamente o peso do viaduto”, destacou Lana. Ao dimensionar a estrutura, conforme Lana, o projetista usa um coeficiente de segurança para suportar eventuais erros de material e construção. “Para levar em conta o dimensionamento, se soma ao peso do viaduto, o carregamento (veículos), o efeito do vento. Só com o peso próprio, o bloco não romperia, porque ele é dimensionado para mais”.

Resposta Fiscalização. A Consol informou que solicitou à Sudecap o documento de controle da obra, mas não obteve retorno. A prefeitura só vai falar após o laudo oficial. A Cowan também não se pronunciou.

Saiba mais Laudo. A Consol reclama da prefeitura decidir pela demolição com base no laudo da Cowan, que analisou apenas o bloco e não aborda a estrutura, “construída de forma errada e diferente do projeto”. Estudos. A prefeitura não apresentou nenhum laudo que recomende a demolição. Estão sendo considerados os fatores sociais e econômicos na região do viaduto. Especialistas afirmam que a recuperação poderia ser feita e um estudo mostraria sua viabilidade. Revisão. O contrato de acompanhamento de obra da Consol com a prefeitura foi encerrado antes de a obra do Guararapes e do Montese começarem. Os outros oito viadutos tiveram controle e revisão durante a execução.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave