Debates entre presidenciáveis e algumas pérolas

iG Minas Gerais |

O primeiro debate de presidenciáveis na televisão me leva a escrever este artigo. Certos candidatos seguem a máxima de Maluf, para quem o microfone aberto à sua frente serve para falar sobre o que ele quer passar como recado, e não para responder ao que lhe é perguntado. Ademais, pesquisas próprias e marqueteiros hábeis tornam o evento um desfile de frases de efeito destinadas a agradar, se não o eleitorado em geral, pelo menos aquela fatia mais tendente a sufragar o nome de cada um. Somem-se a isso as regras, segundo as quais quem mais fala é o moderador. A pergunta tem maior tempo para ser formulada, e a resposta só pode ser dada ao estilo do falecido Enéas, pois quem consegue articular o pensamento em 45 segundos? O mesmo vale para as réplicas. Verdadeiro teatro de má qualidade. Haja paciência para ver o grotesco espetáculo! Nem mesmo questões candentes – às vezes há muito pendentes – são neles tratados. O que pauta o debate é o que o eleitorado quer ouvir, e o que ele quer ouvir nunca vem acompanhado do principal, que é saber “como é que o fulano ou a sicrana vão agir para atingir aquele resultado”. Vagas respostas de muita futurologia sucedem-se aos montões... Quanto às entrevistas de certa grande emissora de TV, em separado, com cada um dos candidatos, essas colocam em evidência um despreparo dos entrevistadores (figuras irrepreensivelmente ao estilo “global”, isto é, bonitos e bem apresentados), chegando às raias do patético. A agressividade pessoal contra os entrevistados substitui a falta de conhecimento sobre a atuação pretérita ou presente de cada um deles. Nenhum entrevistado consegue terminar uma frase porque é invariavelmente interrompido por um dos dois jornalistas... Triste país onde a política só é tratada nos tempos de televisão acumulados pela sopa de letrinhas dos partidos (partidos?!) que se amontoam para dar a seus integrantes cargos e ministérios no futuro governo que emergir das urnas... E haja efeito sonoro, visual ou inventado para dourar a pílula... Mas no meio de tudo isso, o que mais me impressionou no primeiro debate – e que me fez ficar honrada com o passado público que tive – foi o fato de que, se levarmos em consideração a origem de cada um dos candidatos que nele se apresentou, entre os sete que lá estavam, três pertenceram um dia às hostes do antigo e louvado Partido dos Trabalhadores. O PT que hoje é representado por quem não militou em suas fileiras... ou seja, o PT de agora pode ser derrotado por alguém egresso do PT de antigamente, aquele que um dia arrebatou corações e mentes que já não arrebata mais. Ironia do destino ou pérolas que foram sendo atiradas fora de seu outrora brilhante plantel de lideranças, todas afastadas do caminho da ambição de um líder operário que se deixou seduzir pelo canto das sereias e se alçou à condição de senhor e dono de “gado e gente”, como dizia a antiga canção “Disparada”, de Geraldo Vandré. Música dos tempos da luta por uma reforma agrária que nunca chegou a ser feita no Brasil...

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