Afirmação dos bonecos

Festival Internacional de Teatro de Bonecos chega a sua 14ª edição, no CCBB

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Para poucos. “A Caravana do Horror”pode ser visto apenas por 17 espectadores por vez
Olivier Rannou / Divulgacao
Para poucos. “A Caravana do Horror”pode ser visto apenas por 17 espectadores por vez

Não costuma ser fácil. A imagem popular que se tem ao pensar em teatro de bonecos remonta às temáticas infantis e ao “teatrinho” feito na “escolinha” ou nas “festinhas” de aniversário. Na contra-corrente, mostrando que o segmento pode (e tem!) muito mais a mostrar, para diversos públicos, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos (FITB) começa hoje sua décima quarta edição, no Centro Cultural Banco do Brasil.

“Nessa trajetória sempre priorizamos a qualidade da curadoria. Já fizemos esse festival com muito mais grana e também com menos dinheiro, mas mantendo esse princípio. Pensando no público sempre. Até para acabar com essa estigma de teatro de festa de criança”, pondera Lelo Silva, diretor geral do FITB, ao lado de Adriana Focas, desde sua gênese e integrante da companhia Catibrum.

Após dois anos de hiato (em 2012, não ocorreu o festival e, em 2013, ele se resumiu a um formato bem mais enxuto), a programação, que vai até o dia 14, volta a ter mais peso, com 22 espetáculos, de sete países. “Temos dois exemplos que comprovam a diversidade que buscamos: o festival abre com ‘A Escola de Ventríloquos’, produção grande, cenário grandioso, com vários armários e tal, mas, por outro lado, temos ‘A Caravana do Horror’, que é um espetáculo para 17 espectadores apenas, dentro de um trailer”, comenta Silva.

Além disso, em 2014, ele consegue, pela primeira vez, realizar o antigo desejo de concentrar toda a programação num único espaço. “Vamos ocupar os dois teatros e outros espaços menos utilizados aqui do CCBB, como o pátio e o terraço. Para a produção é mais fácil, porque conseguimos tudo aqui perto: hotel, alimentação etc. Além disso, creio que essa convivência seja melhor para os próprios artistas, que ficam menos dispersos”, completa.

O ponto negativo desse ano é que a programação se resume apenas à mostra de espetáculos, sem oficinas, mesas-redondas ou atividades complementares.

Programação. O FITB abre com dois espetáculos que se apresentam em sequência. Primeiro, “Tropeço” dos paranaenses da Companhia Tato Criação Cênica, e, depois, uma das atrações mais esperadas: “A Escola de Ventríloquos”, da Cia. Point Zéro, da Bélgica. Escrita pelo cineasta e escritor Alejandro Jodorowsky, a peça é um marco na trajetória do coletivo. Se antes, eles eram um coletivo de atores, que faziam um teatro “tradicional”, o texto de “A Escola de Ventríloquos” – escrito especialmente para o grupo, após Jodorowsky vê-los em ação num espetáculo sem bonecos – os obrigou a aprender a manipular bonecos e, por conseguinte, encontrar uma forma particular de fazer o teatro de animação.

“O ator está sempre presente em nossas montagens, ele não se esconde atrás de seu boneco, de sua marionete. Mas nós fazemos uma inversão de olhar. Não é o ator que manipula o boneco, mas sim o boneco que o manipula. Fico pensando o que essa marionete pensaria sobre esse ator que a segura”, se diverte o diretor do espetáculo Jean-Michel d’Hoop.

O espetáculo belga é um bom exemplo das possibilidades que o teatro de bonecos apresenta hoje. A temática é densa, às vezes, pesada, chegando a provocar medo. Nessa mesma linha, seguem outros na programação como “O Quadro de Todos Juntos” – dos mineiros do coletivo Pigmalião Escultura que Mexe.

E também tem espaço para o autor mais importante do teatro ocidental, que terá os seus 450 anos lembrados com dois espetáculos: William Shakespeare. Os chilenos da companhia Viaje Inmóvil apresentam uma versão violenta de “Otelo”, em que propõem (também) o jogo entre manipuladores/atores/bonecos. Já os espanhóis da Cia. Pelmànec levam Hamlet, o personagem mais emblemático do mestre inglês, para um consultório psiquiátrico e estabelecem um jogo interessante, quando o Max, em suas consultas, revela seus desejos de viver na vida real, os descaminhos e aventuras do nobre príncipe dinamarquês, em “Diagnóstico: Hamlet”.

Programação

“Tropeço” às 19h e “A Escola de Ventríloquos”, hoje às 20h, no CCBB (praça da Liberdade, s/nº, Funcionários).

Ingressos na bilheteria do CCBB ou no site www.veloxtickets.com.br

R$ 10 e R$5 (meia-entrada)

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