Mineira consegue "prever" crianças que podem ter problemas cardíacos

Após seis anos de pesquisa, ela desenvolveu uma metodologia para detectar a propensão de doenças cardiovasculares em crianças de 6 a 10 anos

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Ana Luiza, à direita, ao receber o prêmio por sua pesquisa no campo da saúde pública
DIVULGAÇÃO/ UFOP
Ana Luiza, à direita, ao receber o prêmio por sua pesquisa no campo da saúde pública

O trabalho de uma pesquisadora mineira, consagrada com o primeiro lugar no Prêmio Henri Nestlé, pode diminuir o índice de doenças de coração no futuro. A pesquisa foi realizada com crianças entre 6 e 10 anos na cidade de Nova Era, região Central de Minas Gerais, e conseguiu detectar precocemente aquelas que teriam maior propensão a desenvolver doenças cardiovasculares quando adultas.

Com apenas 26 anos, Ana Luiza Gomes Domingos, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde e Nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), conseguiu avaliar o perfil nutricional das crianças matriculadas na rede municipal de Nova Era analisando uma série de dados. Com isso, ela conseguiu "prever" as crianças que poderiam desenvolver problemas cardíacos no futuro.

A pesquisadora explica: “avaliamos dados antropométricos, clínicos, bioquímicos, além do consumo alimentar e a atividade física dessas crianças, e o resultado foi enviado à escola e aos pais dos alunos, com o objetivo de fornecer dados à prefeitura do município como subsídio ao planejamento das ações de saúde pública na região. Além disso, os escolares que apresentaram alguma alteração nos exames foram encaminhados para acompanhamento pelos profissionais da rede municipal de saúde”.

Apesar do foco em uma cidade mineira específica, a metodologia da pesquisa pode ser aplicada em qualquer município brasileiro ou situação. "É durante a infância que as pessoas começam a apresentar os fatores de risco de uma doença cardiovascular. Identificar isso com antecedência pode prevenir essas doenças", explicou a professora Sílvia Nascimento de Freitas, orientadora da pesquisa de mestrado da Escola de Nutrição (Enut).

“O resultado da nossa pesquisa confirmou a importância da detecção dos fatores de risco cardiovascular ainda na infância, para assim promover a intervenção e a  melhora na qualidade de vida da população.  A detecção precoce dos fatores de risco cardiovascular na infância pode auxiliar na redução da prevalência das doenças cardiovasculares na idade adulta”, complementou a pesquisadora.

Sobre o prêmio que ganhou, após os seis anos de trabalho com a pesquisa, a jovem Ana Luiza se mostra satisfeita. “É emocionante ver o nosso trabalho ser reconhecido e divulgado nacionalmente. Ganhar esse prêmio é o resultado de anos de trabalho e dedicação de uma equipe de profissionais”, finalizou. 

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