Investimentos não vieram

iG Minas Gerais |

O ministro da fazenda Guido Mantega afirmou em entrevista coletiva que os problemas que diminuíram o Produto Interno Bruto (PIB) do país no segundo trimestre de 2014 são momentâneos e citou, além da redução de dias úteis no primeiro semestre do ano, a seca, a crise financeira internacional e a política monetária do Banco Central de combate à inflação. Os economistas que conversaram com a reportagem de O TEMPO, entretanto, não concordam com a análise do ministro. “A Copa poderia ter tido um efeito positivo no longo prazo na economia brasileira se os investimentos que foram prometidos tivessem sido feitos, mas não foram. A taxa de crescimento já estava muito baixa. A queda do PIB é um problema conjuntural, não é só a Copa ou a seca que causam. Tem que dar apoio à indústria e aos investidores”, afirma o doutor em economia e professor do Ibmec-Minas Afonso Henriques Borges Ferreira. A economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) Ana Paula Bastos se preocupa com a queda constante da participação da indústria no PIB. “A produção interna é fundamental para garantir a geração de empregos e o consumo. É o círculo virtuoso. Mas os juros estão muito altos para isso”, analisa. Afonso Henriques salienta a importância de reformas estruturais para que a economia volte a crescer. “As reformas necessárias são conhecidas: reforma tributária, investimento em infraestrutura, em capacitação para aumentar a produtividade, em competitividade internacional. Uma agenda que foi abandonada pelo governo atual”, analisa. Outro ponto de divergência foi em relação à inflação que, para o ministro Mantega, está controlada, baseado no aumento quase zero no mês de julho. “A inflação não está controlada, houve um resultado pontual em julho. O governo, porém, deveria buscar o centro da meta, que é 4,5% ao ano. E já estamos no teto da meta, provavelmente vamos ultrapassá-la” diz a economista Ana Paula Bastos. (LP)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave