Promessa de salvação, Copa é motivo de redução do PIB

Mantega diz que queda do índice aconteceu pela diminuição dos dias úteis durante o Mundial

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Desempenho. Para CDL/BH, legado da Copa do Mundo não aconteceu no curto prazo
SAMUEL AGUIAR / O TEMPO 27/12/20
Desempenho. Para CDL/BH, legado da Copa do Mundo não aconteceu no curto prazo

A Copa do Mundo foi apresentada aos brasileiros pelo governo federal como uma oportunidade de impulsionar o crescimento do país. Entre 2010 e 2014, foram injetados na economia R$ 142 bilhões. De acordo com uma pesquisa da Fundação de Estudos e Pesquisas Econômicas (Fipe), ligada à USP, divulgada logo após o Mundial, havia a expectativa de incremento no Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 30 bilhões em 2014.

Passada a euforia, veio a realidade. O IBGE divulgou na semana passada o resultado negativo do PIB nacional pelo segundo trimestre seguido (caiu 0,6%) e, com isso, o país entrou em recessão. O ministro da Fazenda, Guido Mantega declarou, na última sexta-feira, que um dos motivos dessa retração foi o número menor de dias úteis ocasionado principalmente pela Copa do Mundo. “Um fator muito importante que prejudicou o crescimento maior da economia foram os dias úteis”, declarou o ministro durante uma coletiva.

No mês de agosto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou dados que também responsabilizavam a Copa do Mundo pelo mau desempenho da produção industrial no país no primeiro semestre de 2014. Segundo a CNI, em junho a utilização da capacidade instalada chegou a 80,1% – mesmo patamar registrado em maio de 2009, ano em que o país lutava para enfrentar a crise internacional. O faturamento caiu 5,7% em junho ante maio, e as horas trabalhadas na produção, 3,0%. Esta última variável retomou também os níveis mais baixos desde 2009.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também identificou uma queda de vendas no primeiro semestre do ano de 8,6% em comparação com o mesmo período de 2013. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, declarou que os dias parados com a Copa afetaram o setor.

“A promessa não aconteceu. O legado da Copa do Mundo poderá virar no longo prazo, mas no curto prazo não houve nada. O comércio teve queda de desempenho em junho”, explicou a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) Ana Paula Bastos.

Para ela, entretanto, diferente da avaliação do ministro, o número de dias úteis tem um impacto pequeno na diminuição do PIB. “O que está sendo feito não tem surtido efeito. Os problemas da economia são gerados pela diminuição do investimento e pela retração da indústria nacional. Também faltou melhorar a infraestrutura do país”, argumenta Ana Paula.

Mudanças

Fiemg. Paulo Casaca, economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, afirma que “o custo da produção é elevado no Brasil” e que é preciso diminuí-lo para aquecer a economia.

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