Técnicas que inventam mundos

Itinerância da mostra começa hoje em Belo Horizonte com mais de 50 produções, além de oficinas e master class

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

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Bill Plympton
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Num momento em que a animação brasileira vive um boom criativo – reconhecido em festivais internacionais como o de Annecy, na França – o diretor do Anima Mundi Marcos Magalhães conta que seu maior prazer está em uma frase que já ouviu de vários animadores do país. “Muitos profissionais vêm me dizer que o primeiro contato deles com animação foi em uma oficina do festival, e isso é muito bacana”, revela.

Com esse espírito, o próximo grande animador mineiro pode começar a surgir hoje na itinerância do Circuito Anima Mundi, que tem início às 19h30 na praça da Liberdade e vai até o domingo. A partir de amanhã, as mais de 50 produções – nacionais e internacionais, infantis e adultas, incluindo um longa sul-coreano e uma mostra de animação suíça – serão exibidas no espaço do Oi Futuro, onde também serão realizadas quatro oficinas e uma master class.

Para a abertura desta noite, a organização preparou uma mistura de curtas de diversos países, com exemplos de estilos e técnicas diferentes que representam um microcosmo do que o festival tentará fazer ao longo dos próximos seis dias. Na programação, estão “As Pintas de Júnior”, do brasileiro Humberto Avelar; o romance francês “Entracte”; o belo drama franco-argentino “Padre”; o francês surreal “Forward, March!”; o canadense “Gloria Victoria”, parte de uma trilogia sobre a relação entre arte e poder, que vai de “Guernica” à Revolução Chinesa; o húngaro “Papírvilág”, feito para a World Wild Foundation; e a comédia familiar holandesa “Uit Huis”.

A seleção faz parte de um recorte que traz a Belo Horizonte as produções mais aclamadas pelo público e crítica na última edição do Anima Mundi no Rio de Janeiro. Ao contrário das salas comerciais, onde o 3D computadorizado atualmente domina a safra animada, com arrecadações bilionárias, Magalhães explica que isso dificilmente será encontrado no festival.

“O mais interessante que a gente tem visto nos principais títulos da mostra é a mistura de técnicas tradicionais com outras tecnologias”, analisa o diretor. Um dos melhores exemplos disso é o longa brasileiro “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu que, depois de 40 prêmios, 70 festivais e uma passagem relâmpago pelos cinemas, ganha uma sessão no festival no próximo sábado, antes de tentar uma vaga entre os indicados a melhor animação no próximo Oscar.

Além dele, “Minhocas”, primeiro longa-metragem em stop-motion brasileiro, também será exibido. Mas um dos grandes destaques da atual safra nacional, para Marcos Magalhães, é o curta brasileiro “Guida”, de Rosana Urbes. “É um trabalho super delicado de uma animadora de São Paulo, que já trabalhou na Disney em longas como ‘Mulan’, e teve a chance de fazer esse filme mais autoral”, diz.

Para quem quiser seguir os mesmos passos, a dica imperdível é a master class com a animadora portuguesa Regina Pessoa, na sexta, a partir das 19h. Depois de começar fazendo filmes altamente pessoais, ela se encantou com a técnica de um animador polonês, que trabalhava com placas de gesso. Após pintá-las toda de preto, ele fazia riscos e fazia gravuras, animando-as posteriormente. “É uma técnica totalmente artesanal que a Regina conseguiu dominar e levar para o universo digital. Na aula, ela explica como de um jeito muito claro e interessante”, argumenta o diretor.

Aqueles que preferirem algo mais iniciante podem aproveitar as quatro oficinas de Desenho Animado, Pixelation, Massinha (stop- motion) e Zootrópio (técnica de ilusão de movimento pré-cinematográfica), ministrada por animadores treinados pelo próprio Anima Mundi. Apesar de a classificação indicativa ser de apenas seis anos, Magalhães ressalta que os workshops não são só para crianças. “Elas se divertem, mas o público adulto também pode aprender bastante”, avisa.

A vasta programação busca reforçar o objetivo primordial do festival, que é criar uma cultura de animação no país e fortalecer o mercado. Do animador que busca encontros profissionais aos pais em busca de um “programa família” no fim de semana, Magalhães afirma que a animação é uma arte poderosa e para todos. “Especialmente a animação brasileira, está num caminho muito bom, criando autores, personagens, histórias e um jeito brasileiro de animar que já tem uma marca e está fazendo sucesso. É um cenário bastante positivo, e o que precisamos é continuar isso e não desanimar”, brinca.

Anima Mundi

Abertura

Hoje, às 19h30, na praça da Liberdade

Sessões, aulas e oficinas

Quando. de 3 a 7/9

Onde. Oi Futuro – avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras

Programação completa. www.animamundi.com.br

Entrada gratuita

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