Dave Lombardo esbanja técnica e humildade durante workshop em BH

Ex-baterista do Slayer se apresentou no Liverpool Rock Bar e conversou abertamente com o público sobre sua experiência na banda

iG Minas Gerais | Thiago Prata |

Apontado como um dos melhores do mundo, o baterista Dave Lombardo integrou o Slayer desde sua primeira formação
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Apontado como um dos melhores do mundo, o baterista Dave Lombardo integrou o Slayer desde sua primeira formação
O workshow de Dave Lombardo é como a apresentação de um mágico. Sentado de frente para o kit de bateria, segurando duas baquetas e com o pedal duplo sob seus pés, o ícone do metal causava todo tipo de emoção ao público do Liverpool Rock Bar, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na noite do último domingo (31). As surpresas, no entanto, não se restringiam à técnica, à fúria e à velocidade de seu estilo de tocar, mas também na forma como ele enxerga a música, a ponto de dizer que as canções que compôs para desenhos da Disney são pesadas e intensas, e exaltar a admiração que nutre por Ray Charles.   E não bastasse deixar seus aficionados atônitos com viradas insanas de bateria e frases de efeito, o ex-integrante do Slayer e referência do Metal ainda hipnotizou os presentes com elementos escassos em boa parte dos grandes ícones da música: humildade e simplicidade.   Mesmo ostentando títulos como os de mestre da bateria, padrinho do bumbo duplo e gênio do Metal, Lombardo não se deixou influenciar pelo mundo do showbusiness e não se transformou em um 'rockstar' metido, como ocorreu com muitos artistas que atingiram o sucesso em todos os cantos do planeta. O próprio baterista ressalta que não se deixou levar pelos excessos da estrada. "Cocaína? Nunca usei. Não uso drogas. Álcool, sim, eu consumia. Mas sempre me cuidei".    Se no palco, o cubano radicado nos Estados Unidos age como um ser sobrenatural, perto dos fãs, se mostra um ser humano como qualquer outro, de carne e osso. Aliás, estar junto de sua família - como ele rotula seus admiradores - e poder mostrar a ela sua música é um dos passatempos favoritos do baterista.   O 'grand finale' foi uma sessão de autógrafos e fotos aos fãs, que não tiveram de pagar um centavo a mais para levar para casa uma recordação do ídolo. Cumprimentá-lo com a mão, dar-lhe um abraço ou conversar com ele por alguns minutos era totalmente normal. Um deleite para os presentes e uma lição a 'artistas' como Avril Lavigne, que parecem ainda não ter entendido que o fã é quem leva o músico ao sucesso e, por isso, deve ser respeitado. E Dave sabe muito bem valorizar sua 'família'.   Rainning questions. Durante cerca de uma hora e meia, além de mostrar sua técnica na bateria, Dave Lombardo respondeu a várias perguntas vindas do público. E se prontificou a falar em inglês ou espanhol - a pedidos da maioria, conversou em inglês, com algumas palavras castelhanas aparecendo no meio da conversa. Era só levantar a mão, que o batera do Philm e do Grip Inc. lhe dava o direito de perguntar qualquer tipo de assunto. Como não poderia ser diferente, choveram questões sobre o Slayer.   Dave reiterou que nunca voltará a tocar com o guitarrista Kerry King na banda de Thrash Metal, com quem gravou clássicos como Show no Mercy (1983), Hell Awaits (1985), Reign in Blood (1986), dentre outros petardos. “Não, não mais”. E alfinetou: “os fãs dizem que não existe Slayer sem nós (Dave Lombardo e o saudoso Jeff Hanneman). Não é isso? Os fãs dizem isso. Eles é quem sabem”, afirmou.   Ele ainda apontou Reign Blood e World Painted Blood (2009) como seus álbuns favoritos com o grupo e falou da saudade do amigo e parceiro de Slayer Jeff Hanneman, falecido no ano passado.   Algumas farpas foram disparadas por Dave, que disse não saber quem era Paul Bostaph, o homem que o substituiu nas vezes em que deixou o Slayer, na década de 90 e em 2013. “Quem? Não conheço ele (Paul Bostaph)”. Em seguida, questionou a importância de Bostaph no cenário musical. “O que ele fez nesses dez anos?”, se referindo ao período de 2003 a 2013, em que Lombardo voltou a fazer parte do Slayer. “Ah, ele gravou um disco do Exodus? O que mais?”   Lombardo também elegeu seus bateristas favoritos do Brasil. “Gosto muito do estilo do Igor Cavalera (Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura). Também gosto do Eloy Casagrande (Sepultura). Sâo grandes bateristas.   O cubano ainda prometeu retornar ao Brasil em breve. “Quero tocar aqui com o Philm. É uma grande banda, com um estilo diferente (do Slayer). Até lá, ficam as recordações de uma noite especial de um músico que despeja fúria através de sua bateria e esbanja carisma em cada olhar e palavra destinada ao público.   Curiosidades. Dentre os temas mais emblemáticos, Dave fez questão de exaltar Ray Charles. “Para mim é um grande nome da música. Eu o admiro bastante. Mesmo cego, é um grande músico. Querem que eu toque um pouco de Ray Charles? Vamos lá”. Dito e feito. Lombardo colocou uma faixa de Ray Charles e tocou bateria em cima, bem ao estilo Metal.   Outro tópico bastante inusitado foi quando o batera falou a respeito das trilhas que gravou para desenhos da Disney. Enquanto mostrava algumas destas músicas, dizia de forma enfática. “Isso é pesado para mim, é intenso” e completou: “tudo que fiz em termos de música foi importante para eu um dia fazer essas trilhas”.   Show no Mercy. Antes de deixar o Liverpool Rock Bar, este fã de Lombardo que vos escreve enfrentou uma longa fila para tirar uma foto e ter alguns encartes de discos autografados pela fera. À medida que a fila ia diminuindo, aumentava a ansiedade em obter o prêmio máximo de uma noite perfeita.   Com um sorriso no rosto, cumprimentei Dave com um aperto de mãos. E o batera, educado como sempre, retribuiu com 'um alô, como vai você', uma foto e autógrafos nos encartes dos cds Show no Mercy, Hell Awaits e do play que ele gravou com o Testament, o de The Gathering (1999).

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