Advogado delator crê em punição severa ao América: 'Sem escapatória'

Roberto Pugliese Jr espera que procuradoria do STJD acate denúncia e acredita que Coelho perderá 21 pontos na Série B

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

Roberto Pugliese Jr (centro) espera que STJD faça cumprir todas as normas previstas e que América seja punido
ROBERTO PUGLIESE JR/FACEBOOK
Roberto Pugliese Jr (centro) espera que STJD faça cumprir todas as normas previstas e que América seja punido

Se dependesse apenas do advogado Roberto Pugliese Jr., responsável pela denúncia de suposta escalação irregular do lateral Eduardo pelo América, na Série B, o Coelho perderia 21 pontos, dos 33 conquistados na Segunda Divisão. 

Apesar de o caso ainda ser embrionário, já que existe apenas a denúncia por parte do Joinville e não um processo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Pugliese espera que haja o estrito cumprimento das regras da Fifa. E, dessa forma, que o clube mineiro seja apenado de acordo com o que está previsto nas regulamentações de competições do futebol nacional. 

“O que a gente espera é que todos os pontos sejam retirados. É o que diz o Regulamento Geral de Competições. Se vai ter um entendimento diferente (por parte da Procuradoria), se o América vai formular sua defesa, isso é outra questão. O papel do Joinville é comunicar à Procuradoria, responsável por abrir ou não um processo. Hoje por enquanto não há nada. O América não tem nem o que se defender, pois existe somente uma denúncia. Agora é aguardar. Se tiver um processo vamos acompanhar de perto”, garantiu Roberto Pugliese Jr. em entrevista ao Super FC.

O América, por meio de seu presidente Marcus Salum, garante que não há irregularidades na escalação de Eduardo, que na visão de Pugliese atuou em três equipes na mesma temporada: São Bernardo-SP, Portuguesa-SP e América. Situação semelhante a ocorrida com o São Caetano no ano passado.

Caso semelhante

Denunciado pelo Paysandu, o time do interior paulista escapou de punição severa, já que no entendimento do STJD, o lateral Renan Luís não atuou de forma irregular. Como denunciado à época pelo clube paraense. O caso foi arquivado, o São Caetano não perdeu pontos, mas terminou rebaixado à Série C pela campanha ruim na Segundona. 

Perguntado sobre semelhanças do atual caso com uma situação vivida pelo São Caetano, Pugliese disse que são acontecimentos com pequenas peculiaridades. 

“Existem peculiaridades no caso do São Caetano no ano passado. São duas situações. O Paysandu à época denunciou o time de São Caetano do Sul, mas por algumas questões entendeu-se que o fato não deveria ser levado adiante. Nem houve julgamento. No caso do América não vejo algo que possa redimi-lo. O jogador, efetivamente, atuou em três competições nacionais, não foi torneio regional. Não enxergo nada que possa eximir o América”, opinou. 

Cumprimento de regras

Considerado vilão pela torcida do América, Pugliese afirma que não tem nada contra o Coelho. No entanto, seu papel como advogado é tentar fazer com que as normas existentes sejam cumpridas. 

“A nossa posição desde o início foi comunicar ao STJD o que entendemos como infração. A partir do momento que analisamos o caso, que havia infração, adotamos medidas cabíveis. Não temos nada contra o América, mas, sim, a favor da competição. Agora o papel da procuradoria é tirar conclusões”, argumentou.

Ainda aguardando um posicionamento da Procuradoria do STJD, o advogado do Joinville admite que ficaria frustrado profissionalmente caso o América escapasse ileso, sem ser apenado.

"Se não existir uma punição severa, sem dúvida ficaremos frustrados. Normas existem para serem cumpridas. No Brasil temos problemas com impunidade, todos vemos isso em toda esfera da sociedade. No esporte não é diferente. Vemos algumas situações em que ficamos com pena, coitado de clube, ele não fez por mal. Mas a questão não é emocional.  Existe o estrito cumprimento da norma e é isso que queremos”, comentou.

O América foi denunciado com base em dois artigos de normas distintas, Regulamento Geral de Competições da CBF, versão 2014, e Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD):

Artigo 49 do RGC 2014: "Um clube não poderá incluir em sua equipe, na mesma temporada, um atleta que já tenha atuado por dois outros clubes, em quaisquer das competições coordenadas pela CBF, com exceção das copas regionais, em consonância com as determinações da FIFA sobre a matéria".

E artigo 214 do CBJD: "Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida, prova ou equivalente. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009). Com perda do número máximo de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento a competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e multa de R$ 100 a R$ 100 mil. 

“O Joinville deixa de contratar vários jogadores por conta dessa norma. Quem descumpre o que está na lei precisa ser apenado de forma exemplar. Cria-se normas com intuito de solução e não apenas para criar. Até que se mude a regra é assim que tem que ser. Por sinal, é uma regra muito inteligente. Foi aplicada no Brasil para evitar que os clubes fiquem contratando atletas sem justificativa. A norma permite contratações, que o atleta se transfira. Mas cria limitações para que os atletas não fiquem passando de clube para clube sem um controle. O América contratou, até aí não tinha nenhum problema. Errou em colocar o atleta para jogar”, concluiu Pugliese. 

 

 

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