Indústria precisa economizar água

Iniciativa privada até já despolui rio para assegurar seu próprio abastecimento hídrico

iG Minas Gerais |

Assustador. Vista da seca na represa do rio Jaguari, no interior de São Paulo
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO – 6.7.2014
Assustador. Vista da seca na represa do rio Jaguari, no interior de São Paulo

RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO. Diante de um cenário de possível escassez de água, as indústrias estão investindo em novas tecnologias para poupar consumo ou encontrar alternativas de captação. A vulnerabilidade do acesso a um insumo tão primordial ficou latente com a guerra da água protagonizada pelos governos de Rio de Janeiro e São Paulo. Não por acaso, cada vez mais empresas nos dois Estados estão se mexendo para assegurar o abastecimento hídrico.  

Uma das diretamente afetadas pela redução da vazão do rio Jaguari, determinada pelo governo paulista no início deste mês e que desencadeou a guerra da água, foi a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). O rio Jaguari alimenta o Paraíba do Sul, que por sua vez tem suas águas transpostas para o rio Guandu. Este deságua no mar pelo canal de São Francisco, em Itaguaí, onde a CSA capta água.

Com a redução da vazão do Jaguari, as águas que passam pelo canal perderam força. O resultado foi que o mar acabou invadindo o canal, elevando a salinidade da água e dificultando seu uso.

Depois disso, a CSA pediu ao Inea – órgão responsável pela hídrica no Rio – para alterar o ponto de captação de água e, assim, tornar-se menos vulnerável. Enquanto aguarda a resposta, a CSA trabalha no desenvolvimento de tecnologias para poupar o uso de água. Hoje, reutiliza 96% da água consumida.

A Bayer, que atua no ramo químico e tem uma fábrica em Belfort Roxo (Baixada Fluminense), desenvolveu tecnologia para despoluir as águas do rio Sarapuí, que corta a região. Conseguiu, assim, reduzir sua dependência em relação à Cedae, que capta água principalmente do rio Guandu para a região metropolitana. A água do Sarapuí segue para uma estação de tratamento construída pela Bayer e atende 85% de sua demanda. A companhia deixou de usar 78 milhões de litros de água potável por mês que antes eram comprados da Cedae. O volume é suficiente para suprir a necessidade mensal de consumo de cerca de 23 mil pessoas.

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